quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

OBRIGAÇÃO X GENTILEZA




Hoje foi assim:
ameaça de chuva e ônibus cheio.
Não hesitei. Entrei assim mesmo.
Os bancos destinados aos idosos ocupados por jovens.
Não estava a fim de confusão. Penso que ainda tenho mais vigor do que muitos deles, sem falsa modéstia.
Caminhando pelo corredor cheguei próximo à porta de saída quando uma jovem me ofereceu o lugar.
Agradeci e respondi:
- Estou bem, não se incomode comigo.
Insistiu ao que respondi:
- Se houvesse necessidade não recusaria. Esteja tranquila. Agradeço a sua gentileza,
Para minha surpresa:
- Gentileza não, é minha obrigação. Gentileza seria um sorriso!
Obrigação seria de quem deveria me ceder o lugar reservado aos idosos afinal, ninguém se levantou.
E insistiu na "tal obrigação" e repliquei:
- ensinei meus filhos a serem gentis.
Continuei em pé e se ofereceu para segura minha sacola.
Aceitei.
Por coincidência, desceríamos na mesma parada, quando gesticulei com mão dando passagem para que descesse primeiro.
Abriu um largo sorriso e respondi:
agora sim,

valeu a gentileza, garota!


©rosangelaSgoldoni
05 12 2019
RL T 6 811 944

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

CELEBRANDO PAPAI NOEL




Aguardava todos os anos...
Sapatinho na janela
e um buquê de esperança.
Esperava até cansar e,
cansada,
dormia sem reclamar.
Talvez soubesse que o tempo
não fosse o de brincar.
Era preciso estudar.

E o relógio deu muitas voltas...

Naquela cidade um palácio,
uma criança em cada janela...
Um espelho emocional,
reviu-se em cada uma delas
no festejar do Natal!
Celebrou seu Papai Noel!

©rosangelaSgoldoni
03 12 2019
RL T 6 810 279




quinta-feira, 21 de novembro de 2019

CORDÃO UMBILICAL



Deitada em seus braços
rompia o cordão umbilical
dos pudores que a imobilizavam até então.
Cansada de inseguranças
entregava-se e
respirava leve
o breve que lhe aprouvera.
Mergulhava de cabeça nas incertezas da vida.
Eram momentos de abandono
pontuados pelos sonhos que ousou desafiar:
uma eternidade na corrida contra o tempo.
Venceu!

©rosangelaSgoldoni
20 11 2019
RL T 6 799 842

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

CONVITE



Compartilhando com vocês a alegria de participar desta Antologia organizada por Dyandreia Portugal através da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil/RJ.
É um trabalho biográfico sobre mulheres que marcaram seu tempo e fizeram História em diversas áreas em prol do país.
A mim coube Luz del Fuego que povoou meu imaginário na adolescência. Era citada por minha mãe com certa reverência.
Além do trabalho biográfico, incluo uma sigela homenagem em forma de poesia que somente no seu tempo será divulgada.
Em resumo:
Luz del Fuego e o “Meu corpo, minhas regras”
Adepta do naturismo e do vegetarianismo, foi uma mulher muito à frente de seu tempo.


domingo, 17 de novembro de 2019

ASAS DE SAUDADES





Mantinha as portas fechadas
mas não ousava confinamentos;
protagonizaram uma bela história
de amor sem arrependimentos.
Ah, momentos,
suspiros,
distanciamentos...
Idas e voltas,
tormentos!
Só eles,
tão sós
em movimento de translação descoordenada,
desordenada pelas razões do não ser.
Se foram,
ainda não entenderam.
Descobrirão
certamente,
mais além.
Saudades e asas
encarregar-se-ão de
impulsionar um novo jogo
além do provável!

©rosangelaSgoldoni
RL T 6 794 274

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

ARRUMAÇÃO



Uma freada inesperada sacudiu sua vida.
Estancado no vazio das impossibilidades
o presente demandava por um tempo
sem por quês ou lamentações.
Precisava vislumbrar um futuro acalorado:
desaceleração cercada por cuidados,
afagos,
paciências e
cortinas abertas.
Necessário despertar a luz que dormitava
entre ausências e
falências,
quase escuridão.
Refeito em feixes
numa explosão de sentidos,
o vivido abriu-se ao novo
ao raiar do dia,
estrela fugidia que se revelou.
Futuro presente em sementes de esperança
borrifaram perfumes e essências
no amanhecer distraído.
Acelerou!

©rosangelaSgoldoni
05 01 2019
RL T 6 789 540

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

FINAIS E FINADOS



Passei por algumas perdas doídas e doloridas por algum tempo.
Na certeza da emoção (ou missão) cumprida, ao ritual do sepultamento sobreviveu um sentimento de solidão.
A dor foi se afastando e as lembranças me envolvendo.
Percebi que aquele não era um momento final, mas transcendental e foi se acomodando no meu coração.
Por isso não vivo finados ou flores em sepulturas.
Vivo as presenças e lembranças constantes dos que me foram caros.
Visitamo-nos em sonhos e relembramos os cuidados mútuos de então.
Inevitáveis partidas, inevitáveis reencontros.
E segue a vida, mesmo em finados.

©rosangelaSgoldoni
02 11 2019
RL T 6 785 177

FERTILIDADE EM VERSOS



Busco a espontaneidade dos versos
num flertar de olhos,
no alçar voo dum passarinho
ou no bocejar inocente da criança...
Quem sabe, no arfar dum peito em exaustão de amor?
Quero, do sentimento, a cumplicidade!
Busco a serenidade das rimas
além das dissonâncias que me visitam.
Cansei da cadência marcada e vigiada pelos
incrédulos de qualquer emoção,
críticos de plantão e notoriedade.
Quero o poema transitando entre os dedos dos pés...
Terra e fertilidade!

©rosangelaSgoldoni
17 06 2018
RL T 6 784 778

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

SONHADORA CONTUMAZ



Sonhos ela sempre os teve uma vez que
a criança que nela existiu
sobrevoava cotidianamente as páginas
de um gibi, livro,
ou jornal (muitas vezes dos classificados).
Sua residência
sem azulejos ou banheiras,
tinha como brilho visível apenas
o vermelhão do chão da cozinha e
o amor familiar.
Não podiam faltar!
Nos ambientes sofisticados,
que não eram de sua intimidade,
transitava com certa prudência,
mas não fazia feio.
Com os pais aprendeu o que se chama respeito.
Alimentar-se de possibilidades era preciso,
necessário,
intuitivo.
Descobriu que,
do céu,
somente chuvas
e foi à luta!
Conquistou o mundo que lhe aprouvera
sem ganâncias ou subterfúgios.
Sonhos sempre os terá,
 afinal,
viciou-se em voar.

©rosangelaSgoldoni
22 10 2018
RL T 6 781 547


sexta-feira, 25 de outubro de 2019

CIRANDA E CARROSSEL



Te quero tanto,
mas não me permito te amar.
Insana decisão!
É possível, coração?

Sintonizados,
sincronizados,
entregamo-nos com paixão.
Desafiamos o tempo:
calendário sem função.

Por que perdura?
Por que transborda?
Haverá cura
ou não tem mais volta?

Cirandas sem mãos dadas;
gangorras que levam ao céu,
na cama, na chuva ou na estrada
nossa vida é um carrocel.


©rosangelaSgoldoni
19 07 2010

RL T 2 565 067

terça-feira, 22 de outubro de 2019

ESTAMPAS DE UM CORAÇÃO



Retalhos
alinhavados,
costurados,
monocromáticos
ou
coloridos
mapeiam a geografia de um coração.
Passeando pela estamparia,
uma vida
ora cerzida,
ora bordada,
faz-se chuleada com esmero
e
decisão.
Envelopado em moldes de gratidão
bate alvoroçado
no improviso de viver.

©rosangelaSgoldoni
RL T 6 776 792

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

DEMANDAS (Onde, Quando, Por quê?)





Parto não sei para onde,
volto não sei por que;
o meu ponto de embarque
leva-me sempre a você.

Você que não me ignora,
sei que sofre também.
Espero o passar das horas,
fumo enquanto não vem.

Aproveito o tempo e escrevo
coisas sem qualquer sentido.
Mas os ruídos me lembram
que dormir é preciso.

Basta de noites insones,
de sobressaltos aos latidos;
basta que você me acorde,
sou seu porto e seu abrigo.

©rosangelaSgoldoni
20 06 2010
T 2 438 884

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

PRIMAVERIL





Cores dum tempo
Florado e florido
Tom primaveril

©rosangelaSgoldoni
14 10 2019
RL T 6 769 730

terça-feira, 1 de outubro de 2019

CAROCHINHAS



Passeava pelos livrinhos de história
como se deles fizesse parte.
Não personagem,
apenas uma observadora de sonhos
que se aproveitava para sonhar também.
E sonhou tanto que,
num piscar de olhos,
nasceram asas, impulsos de voar.
Hoje,
seu pássaro interior
festeja a realidade em
gorjeios de poesia.

©rosangelaSgoldoni
30 09 2019
RL T 6 758 850



1960

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

DE ONDE VEIO, PARA ONDE VAI...




Chegou sem nada.
Percorreu caminhos,
estradas,
viadutos...
Aeroportos,
portos
e
rodoviárias.
Atalhos necessários ou não.
Salvo-condutos,
asfalto,
poeira das bravas;
mares,
riachos,
rosários...
Continua por aí...
Um passarinho no ombro,
borboletas no olhar...
Um poema em cada mão!

©rosangelaSgoldoni
29/04 2019
RL T 6 754 505

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

FLORAÇÃO REDOBRADA



Encolhida no recolhido do amor
desembrulhou edredons do fundo do armário
como se abraçasse o sol.
A presença do inverno das estações
ritmava seu coração em compasso de calafrios.
Reaquecida e plena de emoções
desafiou o frio que ultrapassava sua janela.
Dançou entre névoas de tule
num esvoaçar de nuvens que desacelerou a pulsação.
Permitiu ao amor sobreviver àquele inverno,
Na próxima primavera
redobrar-se-á em flores.

©rosangelaSgoldoni
23 06 2019
RL T 6 749 568

domingo, 15 de setembro de 2019

ESTAÇÕES DE VIDA



Fogem-me as estações!
Já não corro contra o tempo nesta viagem sem volta.

©rosangelaSgoldoni
28 04 2019

RL T 6 745 277

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

MALQUISERAM...



Foi um distante
tão perto
que
se perderam no deserto
dos seus nós.
Desatados,
partidos os laços,
quebraram-se os elos,
quase flagelos,
lágrimas de amor.
Tempos em que a primavera
refletia o calendário
das flores.
Miosótis,
malmequer,
malquiseram
suas dores.
Inventariadas,
repartiram-se entre fachos,
matizes
e alguma luz.
Divididos,
multiplicaram suas emoções
nas tramas do amanhecer!
Sobreviveram ao caos dos sentimentos!

©rosangelaSgoldoni

11 09 2019
RL T 6 744 488

sábado, 7 de setembro de 2019

PAUTAS DE UMA VIDA



Pensava nas músicas que embalavam sua vida
num movimento inquieto,
um ninar disfarçado de etéreo
abrigo no infinito do não ser.
Partituras reprisadas
ao longo da vida com seus pares
endeusados,
alados,
amantes e amados,
esquadrias e esquadros
daqueles que a envolveram.
A cada nota sincopada
um suspiro de saudade;
um pentagrama desequilibrado
nas linhas desiludidas e desalinhadas
de motivação.
Ato contínuo,
realinhou sua pauta pelo cantar de um passarinho...
Outonal inspiração,
acreditou numa sinfonia a envolvê-la em versos
libertos e despertos de amor.

©rosangelaSgoldoni
01 05 2018 (inspiração)
07 09 2019 (conclusão)
RL T 6 739 908

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

GARGALHADAS



Há sorrisos recolhidos,
outros camuflados;
sorrisos encolhidos,
alguns escancarados.
Há sorrisos entre dentes,
posicionados para as lentes;
dito sorriso ensaiado
carimbo de agenda, forçado.
Há o sorriso discreto,
que não deve ser exposto,
também o magnético
a imantar o outro.
Tem o sorriso de lado,
um tanto desconfiado...
Mas o sorriso espontâneo,
desperta a alegria da alma
farol que ilumina os caminhos
não ensaia, explode em palmas...
Gargalhadas!

©rosangelaSgoldoni
30 08 2019
RL T 6 735 805

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

TUDO BEM COM VOCÊ?



Depois que a chuva passou
os relâmpagos acalmaram-se;
águas rio baixo,
uma calma aparente reinou.
Ela sozinha,
cama acima acordada
momento alta madrugada,
encolhida chorou.
Sua insônia acovardada
ouviu quando bateram à porta.
- Tudo bem com você?
Precisava saber!
Viajou no abraço trocado
em sonhos e sentidos de ser ...
Dormiu encharcada de amor
banhada pelas gotas de carinho
que clareavam a madrugada.
Amanheceu.
Havia um sol interior brilhando.

©rosangelaSgoldoni
24 08 2019
RL T 6 730 000

terça-feira, 20 de agosto de 2019

VERDE E AMARELO





Há uma tempestade elétrica,
magnética,
antiestética
nas entrelinhas dos 
paralelos ao sul do Equador.
Há medos,
ameaças,
deboches em meio aos brioches
expostos em vitrines das boas intenções.
Ah odientas vilanias,
mascaradas e plenas de covardia,
tua hipocrisia será erradicada
dos mandos e desmandos de uma Nação.
Seus filhos acordarão deste efeito anestésico,
saturados por analgésicos
em destemperadas soluções.
Assim
despertará o berço esplêndido
ao lado do verde e amarelo
que domina o hasteado pendão.
Amados filhos ainda serão.


©rosangelaSgoldoni
18 03 2019
RL T 6 724 658


sábado, 17 de agosto de 2019

O FRIO E OS AMANTES






Frio que desidrata a alma,
resseca os sentimentos,
enrijece o coração
ouve os que se amam:
recolhe-te ao raiar do dia
para que o sol em energias
reaqueça as emoções.
A vida encarregar-se-á dos perdões.

©rosangelaSgoldoni
17 08 2019
RL T 6 722 800

BIENAL RIO 2019



segunda-feira, 12 de agosto de 2019

INTIMIDADE




Você chegou,
abriu seu espaço,
como se fosse
dono do pedaço.

Você não entendeu,
sequer percebeu,
que o meu quarto
não é mais o seu.

Não tente alcançar
além do que pode.
Intimidade?
Não há mais suporte.

Se você me quer
vai ser de outra forma,
com as cartas na mesa
sem mangas com dobras.

©rosangelaSgoldoni
18 01 2011
RL T 2 736 194

sábado, 10 de agosto de 2019

DEU NOS JORNAIS...




Chuva miúda
fez estragos
nas barreiras do coração!
Desfez laços,
emaranhados,
sobressaltados,
raiz e paixão.
Desabrigados
e apaixonados,
olhos nublados,
dor, compaixão.

Miúda partiu sem culpas.
Reidratou sementes
com promessas de brotação na próxima estação.

©rosangelaSgoldoni
04 08 2019

domingo, 4 de agosto de 2019

PROSA EM POÉTICA MADURA





Filha mais velha de três irmãos, sentia-se sozinha.
Entre idades, um fosso nas brincadeiras.
Limitava-se aos amigos imaginários.
Casa de amigos ou amigos em casa (os reais) nem pensar.
Afinal, como no velho ditado, “um é pouco, dois é bom, três é demais”. Ou melhor, naquela casa, suficiente para aquela mãe totalmente do lar.
Num certo momento centrou-se nas leituras.
Era tudo que poderia ter e fazer.
Das leituras, aventuras nos livros do ginásio.
Viajou tanto que conheceu meio mundo numa virtual dimensão inimaginável à época.
Estudava longe (sim, uma das melhores escolas pública do município vizinho); tão longe de casa e da sua realidade social que só lhe restava ser a primeira aluna da classe.
E pela distância da realidade não poderia participar dos grupinhos de trabalhos de adolescência.
A mãe explicava, a professora entendia, a mocinha sozinha.
Classificou-se no vestibular em troca de uma bolsa.
Vida corrida e passada; filhos e neto, uma estrada.
 Hoje a senhora do só ser entendeu que sua melhor companhia implicitamente (con)vive plena de si, exala poesia madura e, no seu olhar, ainda resiste um quê de futuro.

©rosangelaSgoldoni
02 08 2019

terça-feira, 30 de julho de 2019

NÃO SOU COLOMBINA



Coisa mais chata,
você não desata
nem me faz sorrir...

Esquenta o meu corpo,
de repente tão morno
e sai por aí...

E quando retorna
me finjo de morta.
Entrar e sair!

Cansei de confetes,
não sou colombina
não estou mais a fim!

©rosangelaSgoldoni
03 02 2011
RL T 2 773 111

domingo, 28 de julho de 2019

SOMBRAS




Feito,
desfeito,
refeito
em trama e flor.
Traçado,
trançado,
tramado
em gozo de amor.
Vento
que
desfez
o laço.
Quebranto e dor.
Sem entender,
a vida disse adeus!

©rosangelaSgoldoni
27 07 2019
RL T 6 706 912

OBRIGAÇÃO X GENTILEZA

Hoje foi assim: ameaça de chuva e ônibus cheio. Não hesitei. Entrei assim mesmo. Os bancos destinados aos idosos ocupados por jov...