segunda-feira, 26 de agosto de 2019

TUDO BEM COM VOCÊ?



Depois que a chuva passou
os relâmpagos acalmaram-se;
águas rio baixo,
uma calma aparente reinou.
Ela sozinha,
cama acima acordada
momento alta madrugada,
encolhida chorou.
Sua insônia acovardada
ouviu quando bateram à porta.
- Tudo bem com você?
Precisava saber!
Viajou no abraço trocado
em sonhos e sentidos de ser ...
Dormiu encharcada de amor
banhada pelas gotas de carinho
que clareavam a madrugada.
Amanheceu.
Havia um sol interior brilhando.

©rosangelaSgoldoni
24 08 2019
RL T 6 730 000

terça-feira, 20 de agosto de 2019

VERDE E AMARELO





Há uma tempestade elétrica,
magnética,
antiestética
nas entrelinhas dos 
paralelos ao sul do Equador.
Há medos,
ameaças,
deboches em meio aos brioches
expostos em vitrines das boas intenções.
Ah odientas vilanias,
mascaradas e plenas de covardia,
tua hipocrisia será erradicada
dos mandos e desmandos de uma Nação.
Seus filhos acordarão deste efeito anestésico,
saturados por analgésicos
em destemperadas soluções.
Assim
despertará o berço esplêndido
ao lado do verde e amarelo
que domina o hasteado pendão.
Amados filhos ainda serão.


©rosangelaSgoldoni
18 03 2019
RL T 6 724 658


sábado, 17 de agosto de 2019

O FRIO E OS AMANTES






Frio que desidrata a alma,
resseca os sentimentos,
enrijece o coração
ouve os que se amam:
recolhe-te ao raiar do dia
para que o sol em energias
reaqueça as emoções.
A vida encarregar-se-á dos perdões.

©rosangelaSgoldoni
17 08 2019
RL T 6 722 800

BIENAL RIO 2019



segunda-feira, 12 de agosto de 2019

INTIMIDADE




Você chegou,
abriu seu espaço,
como se fosse
dono do pedaço.

Você não entendeu,
sequer percebeu,
que o meu quarto
não é mais o seu.

Não tente alcançar
além do que pode.
Intimidade?
Não há mais suporte.

Se você me quer
vai ser de outra forma,
com as cartas na mesa
sem mangas com dobras.

©rosangelaSgoldoni
18 01 2011
RL T 2 736 194

sábado, 10 de agosto de 2019

DEU NOS JORNAIS...




Chuva miúda
fez estragos
nas barreiras do coração!
Desfez laços,
emaranhados,
sobressaltados,
raiz e paixão.
Desabrigados
e apaixonados,
olhos nublados,
dor, compaixão.

Miúda partiu sem culpas.
Reidratou sementes
com promessas de brotação na próxima estação.

©rosangelaSgoldoni
04 08 2019

domingo, 4 de agosto de 2019

PROSA EM POÉTICA MADURA





Filha mais velha de três irmãos, sentia-se sozinha.
Entre idades, um fosso nas brincadeiras.
Limitava-se aos amigos imaginários.
Casa de amigos ou amigos em casa (os reais) nem pensar.
Afinal, como no velho ditado, “um é pouco, dois é bom, três é demais”. Ou melhor, naquela casa, suficiente para aquela mãe totalmente do lar.
Num certo momento centrou-se nas leituras.
Era tudo que poderia ter e fazer.
Das leituras, aventuras nos livros do ginásio.
Viajou tanto que conheceu meio mundo numa virtual dimensão inimaginável à época.
Estudava longe (sim, uma das melhores escolas pública do município vizinho); tão longe de casa e da sua realidade social que só lhe restava ser a primeira aluna da classe.
E pela distância da realidade não poderia participar dos grupinhos de trabalhos de adolescência.
A mãe explicava, a professora entendia, a mocinha sozinha.
Classificou-se no vestibular em troca de uma bolsa.
Vida corrida e passada; filhos e neto, uma estrada.
 Hoje a senhora do só ser entendeu que sua melhor companhia implicitamente (con)vive plena de si, exala poesia madura e, no seu olhar, ainda resiste um quê de futuro.

©rosangelaSgoldoni
02 08 2019

OBRIGAÇÃO X GENTILEZA

Hoje foi assim: ameaça de chuva e ônibus cheio. Não hesitei. Entrei assim mesmo. Os bancos destinados aos idosos ocupados por jov...