Rascunho versos. Neles, sentimentos.

terça-feira, 28 de maio de 2019

PALAVRAS E ARQUIVOS


Se a palavra insiste,
Poeta,
arquive!
É semente a laborar.
No tempo certo o poema germinará.

©rosangelaSgoldoni
15 05 2019
RL T 6 659 170

quinta-feira, 23 de maio de 2019

quarta-feira, 15 de maio de 2019

SENSORIAIS





Olho, não vejo.
Ouço, não falo.
Provo, não distingo.
Toco, não percebo.
Odores? Anosmático.
Os espúrios seguem desprovidos de novidades.
Sentidos!
Voo cego num mundo de obviedades.
O despertar revela-se em coloridos,
no som dos pulsares,
no sabor dos néctares,
nos filamentos de seda,
em aromas de viver.
Restart!
Rituais celebrados nos rincões da felicidade.

©rosangelaSgoldoni
03 12 2018 (concepção)
15 05 2019 (conclusão)
RL T 6 648 166

sexta-feira, 10 de maio de 2019

MÃOS & ARMAS




Fui tomada de assalto pela Poesia.
Mirou na inspiração e
o verso disparou certeiro.
Sobrevivemos na rosa que insiste em brotar.

©rosangelaSgoldoni
10 05 2019
RL T 6 643 649

quinta-feira, 2 de maio de 2019

VENTRE LIVRE



Voltava da fábrica de tecidos todos os dias pelo mesmo caminho.
Ele a esperava na calçada e repetia: oh mulata, ainda serás minha!
Ela sorria num ar de deboche, quem sabe provocação, e respondia:
português atrevido!
Ela de finos traços, olhos verdes, neta de um ventre livre e de um francês que se encantou com a negritude da Margarida.
Da fábrica de tecidos para os braços do português ... um, dois, três ... nasceu uma branca como a neve, cabelos castanhos claros e finos. Portuguesinha, diziam.
Coisas que só as leis das probabilidades aplicadas à genética poderiam explicar.
Não foram felizes para sempre.
O português, cansou-se do exótico e partiu.
Elas, sozinhas, sobreviveram na simplicidade da vida.
Quatorze anos se passaram e quase portuguesinha precisou trabalhar.
Documentos a recolher, descobriu que não tinha sido registrada.
Ah, o português? Casara-se com uma branca e tinha muitos filhos.
Restou à mulata de olhos verdes registrar sua filha sem pai.
No cartório, preto no branco, a certidão de nascimento da “branca como a neve”, quase portuguesinha empardeceu.
Coloriu sua vida independente dos que tentaram empalidecê-la.

©rosangelaSgoldoni
02 05 2019
RL T 6 637 796