Rascunho versos. Neles, sentimentos.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

ARARA LIVRE NO CAIS



Chegou sem avisar,
mansidão de bicho solto na beira do cais.
A energia flutuava em conjunção de asas:
liberdade para voar.
Passeou pelos ombros,
bicou seu chapéu
abençoou nossa viagem
quando sobre seus braços caminhou.
Momento cumprido,
partimos.
Se nos reencontraremos,
certamente,
noutras poesias.
A arara seguirá seu destino
de abençoar os viajantes naquele embarcadouro.

©rosangelaSgoldoni
19 04 2019
RL T 6 627 514

terça-feira, 16 de abril de 2019

APRENDIZ DE VIDENTE





Estava naquele show a convite de uma amiga cuja filha havia se casado com um cigano de família tradicional. Dançar era mais do que divertimento.
O espaço no clube fora compartilhado com videntes e cartomantes.
Seria a sua primeira incursão pelas cartas e profecias; danças e magias que sempre a seduziram.
Encantada com as mesas arrumadas, saias rodadas e coloridas; música vibrante, bolas de cristal e baralhos enigmáticos, entre as mesas quando se decidiu-se por uma consulta.
O que o destino lhe revelaria nas cartas que desfilavam naquelas mãos ávidas de cortes e interpretações?
Escolheu e sentou-se. Meia-hora de revelações por R$ 50,00 e acréscimos, caso necessário.
A fala da “vidente” ouvia-se num “portunhol” sem escrúpulos. Trabalhava com uma bola supostamente de cristal e um baralho.
Observava enquanto era questionada:  respondia com monossílabos às perguntas que tentavam induzi-la a respostas reveladoras.
- Há um Roberto na sua vida.
- Sim, conheço um Roberto e ...
E surgiram outros nomes sem sentido ou significado. Até que a cartomante perguntou em bom português:
- Você não acreditou em nada do que eu falei, certo?
- É verdade, nada me foi convincente.
Façamos um trato:  você é uma pessoa muito atenta e observadora. Se quiser trabalhar comigo, deixo o meu cartão. Procure-me.
Levantou sorrindo e voltou-se para o palco onde um grupo de legítimos ciganos dançava e cantava.
Anos depois descobriu uma cigana dentro de si que se revelava nas metáforas da sua poesia cotidiana.

©rosangelaSgoldoni
16 04 2019
RL T 6 625 196



terça-feira, 9 de abril de 2019

UM PONTO DE PARTIDA





UM PONTO DE PARTIDA

Navegava por mares distantes
quando percebeu aquela estrela cintilando sobre o oceano.
Surpreendeu-se com o flutuar sensível das suas retinas.
Envolvida em raios de solidão,
desfez o nó da saia envelope e
montou a primeira onda que passava distraída.
A galope,
sorria a cada gotícula salgada borrifada em sua face.
Assim,
revigorada,
viajou ao universo do imponderável.
Em reinos de Poseidon,
nos seus braços se aninhou como se princesa fora.
Suspirou!
Acordou em marinhas desorientações,
sensíveis revoluções auditivas...
Aprumada,
encantou-se com sua viagem sem
portos ou rotinas.
Bastava-lhe um ponto de partida!

Rogoldoni
03 03 2018
RL T 6 619 519
Publicado na Antologia Sem Fronteiras pelo Mundo vol. 4 2019, lançada na Universidade de Cartagena, Colômbia.