Rascunho versos. Neles, sentimentos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

GUERRA EM PAZ INTERIOR


Chuva mansa e intermitente
reflete o asfalto molhado.
Derrapam a vida e o carro.
O condutor segue sem pressa.
Vida em compasso de espera.
Uma rajada de fuzil quebra o silêncio da noite.
Guerra e Paz interior!

©rosangelaSgoldoni
1 9 07 2017

RL T 6 058 900

terça-feira, 18 de julho de 2017

CATARATAS


Véu que se descerra sobre o cristal.
Idade embaçada,
cataratas que deságuam nas imagens
desgastadas pelo tempo:
ventos contrários
ou
a favor.
Sobre técnicas
tudo se renova:
há um novo cristalino  dentro de mim.

©rosangelaSgoldoni
18 07 2017
RL T 6 058 508

segunda-feira, 17 de julho de 2017

(IN)DISCRETA CLARIDADE


O sol espelha-se no parapeito de vidro da varanda
do outro lado da rua.
Cerro os olhos incomodados com a excessiva claridade.
Tudo se faz vermelho no percurso dos vasos projetados,
sanguíneos corredores trilhados à sombra
da realidade transformada.
O ser vivo,
consciente de sua essência humana,
cósmica partícula numa engrenagem divina,
agradece ao Criador.
O sol segue o seu curso...
Foi-se espelhar noutras varandas.
Aqui
ou
do outro lado da rua,
a vida segue em discreta claridade.

©rosangelaSgoldoni
07 07 2017

RL T 6 056 275

sexta-feira, 14 de julho de 2017

DAMA DE FERRO



No blefe da vida
a carta não erro.
Decido a partida:
sou dama de ferro.

©rosangelaSgoldoni
26 10 2010

RL T 2 697 279

O QUE DEIXAMOS DE VIVER (LAMENTOS)



Lamento o que não fomos,
o que deixamos de viver.
Impossível um novo encontro
nosso tempo deixou de ser.

Lamento os beijos roubados,
furtivos mas consentidos;
mais um tanto de abraços
em distância convertidos.

Lamento o que trago em meu peito,
ainda estou a sofrer;
mas é certo, reaprendo,
buscando um novo prazer!

©rosangelaSgoldoni
23 11 2010
RL T T2 675 411

domingo, 9 de julho de 2017

ANOS QUASE DOURADOS




Contam que os dias eram assim.
Eu os vivi e disso bem sei.
Namorado no portão,
um amasso no cinema,
“corridas de submarino”.
Depois das vinte e três, nem pensar:
entrar e deitar no sofá!
Bailinhos na varanda embalados a Cuba Libre.
Guitarras.
Rock, bossa nova, jovem guarda, tropicália,
festival!
Biquíni e minissaia.
Ninguém confiava em “ninguém com mais de trinta anos” (*1)
A banda passou...

Apesar da ingenuidade que se perdia
alguns percebiam os gritos ecoados dos porões.
Mas isso é uma outra História que
“não cabe neste poema”. (*2)

(*1) Compositor: Marcos Valle & Paulo Sergio Valle
(*2) Não há vagas Ferreira Gullar

©rosangelaSgoldoni
09 07 2017
RL T 6 050 291

sexta-feira, 7 de julho de 2017

LUA EM NOITE DE INVERNO


Sem eira nem beira,
despida de telhados,
faz sua ronda plena de si.
Transbordando em luz,
aquece esta noite de inverno.

foto e texto
©rosangelaSgoldoni
07 07 2017

RL T 6 048 617

sexta-feira, 30 de junho de 2017

POEMA INERTE



O verso brinca de esconde-esconde
na tela do computador.
Tento descobri-lo nas pautas de um caderno que repousa ao lado.
Nada de novo nos recantos da inspiração.
Será que tudo já foi dito e sentido?
Emoções esgotadas?
Pobre poeta que reflete no olhar a tristeza do poema inerte.

©rosangelaSgoldoni
22 06 2017

RL T 6 041 983

quarta-feira, 21 de junho de 2017

CHUVAS


Pode ser uma queda em plumas
ou desabar impiedoso aos meus pés.
Pode ser breve tal um cometa
ou persistir sem questionar seu revés.
Pode ser fonte de ganho e de vida
ou desabrigo, tristeza e desolação.

Chuvas que vem e vão!

©rosangelaSgoldoni
21 06 2017

RL T 6 033 980

terça-feira, 20 de junho de 2017

INCÕMODO


Não queira que corresponda
ao que eu não posso prometer;
só preciso encontrá-lo
e algumas verdades dizer.

Mas verdade não é seu forte,
argumentos não sabe ouvir,
não tem estrutura ou suporte,
prefere de mim fugir.

Não preciso mais do seu colo,
voltei normalmente a dormir;
é certo ainda o incomodo,
demonstra seu jeito de agir.

Fique com seu mundinho disforme
pus o meu a reconstruir.

Rogoldoni
16 11 2011

RL T 6 032 440

quinta-feira, 15 de junho de 2017

FRAGMENTANDO EMOÇÕES


Face a uma ideia insana
outra me seduziu:
racionalizar a emoção:
a terapeuta sorriu.
Claro, também sorri,
do absurdo que proferi.
 
Uma exposição
sem fundamento ou lógica;
na verdade surrealista
era a minha proposta.
Contra argumentei
fragmentando emoções.
 
Pinceladas de traços fortes
compõem a minha vida;
sou totalmente Van Gogh,
o conjunto é harmonia;
não ligo ou me abalo
se não sou compreendida.
 
©rosangelaSgoldoni
05 07 2011

RL T 3 204 913

segunda-feira, 12 de junho de 2017

VIDA A DOIS


CONVITE


TEMPOS E (IM)PACIÊNCIAS



Foi-se o tempo do pouco tempo,
dos relógios e seus ponteiros
a controlar-me sem compaixão.
 
Uma corrida desleal!
 
Não havia espaço pra erros,
acumulavam-se sonhos e segredos,
funções e medos reais.
 
Tempos de tempo integral!
 
Meu tempo de hoje é sobra
que me devora por fora
e desacelera os  pensamentos.
 
(Im)paciências de vida!
 

©rosangelaSgoldoni
21 05 2017
RL T 6 024 351

sábado, 10 de junho de 2017

ETERNIZANDO SENSAÇÕES


O que sente um coração
só versos podem expressar,
a mais singela emoção,
neles permitem-se eternizar.


©rosangelaSgoldoni
26 10 2010
RL T 2 580 792

sexta-feira, 9 de junho de 2017

PRECEITOS


Hoje: sei que não posso!
Amanhã: sei que não devo!
Depois de amanhã: de tudo me esqueço!

©rosangelaSgoldoni
22 01 2011

RL T 2 746 288

domingo, 4 de junho de 2017

O BOTO E SANTO ANTONIO




O boto com seu chapéu
em festa de Santo Antônio,
à  moça encanta e, sem véus,
no mar deposita os seus sonhos.

A vitória-régia sorri em flores!

©rosangelaSgoldoni
04 06 2017

RL T 6 018 566

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O CAMINHO DAS NUVENS



A palavra engasgou-se antes que
a última página fosse virada,
a derradeira pedra se encontrasse selada,
o último suspiro não fizesse mais sentido
Pegou carona numa nuvem que desfilava ao acaso
certa do desembarque  nos domínios do Senhor!
A palavra envolveu-se num manto de lágrimas.

Para a amiga Ana Maria que nos deixou no dia 31 05 2017

©rosangelaSgoldoni
02 06 2017
RL T 6 016 875

segunda-feira, 29 de maio de 2017

LUNAR



Uma vírgula desmaia nos braços da mata.
Pausa crescente para reflexões.

©rosangelaSgoldoni
foto e texto
29 05 2017
RL 6 013 148


domingo, 28 de maio de 2017

ALMOÇOS E DOMINGOS





Lembrei-me das empadinhas em formas de alumínio,
talharim aberto na tábua com garrafas vazias.
Manjericão e pesto no pão,
sarapatel quentinho,
siri (por ele pescado), cozido na panela.
Jló  frito no azeite.
Hoje tem dobradinha!
Pulava de alegria...
Meu pai cozinheiro aos domingos.
Sobremesas à minha mãe.
Laranja da terra
ou
cajá
em caldas.
Arroz doce.
Tudo muito simples,
muito especial,
até mesmo a galinha que matava no quintal
(domingos em que a cozinha era sua).

Hoje preparei meu almoço lembrando- me daqueles dias!

©rosangelaSgoldoni
28 05 2017
RL T 6 012 204


quinta-feira, 25 de maio de 2017

BORBOLETAS E INQUIETAÇÕES



Borboleta amarela,
tão leve,
tão breve,
leva um pouco de poesia aos brutos de coração,
Insensíveis de todas as ordens.
Abre o sol das suas asas antes que a noite
se eternize em escuridão.
Há os que também se alimentam do brilho das estrelas!

©rosangelaSgoldoni
25 05 2017

RL T 6 009 515

sexta-feira, 19 de maio de 2017

CHUVA, FRIO E CAFÉ


CHUVA, FRIO E CAFÉ

Chuva a cair lá fora,
frio a machucar por dentro.
Cinza que o céu decora,
das flores eu me alimento.

Um café me reconforta!

©rosangelaSgoldoni
19 05 2017
RL T 6 003 943

quarta-feira, 17 de maio de 2017

À DERIVA



Atendendo aos teus apelos
fiz coisas que até Deus duvida;
desfeitos os nós do novelo
observo-te ao longe, à deriva.

©rosangelaSgoldoni
15 08 2012
RL T 3 854 204

terça-feira, 16 de maio de 2017

REFLEXOS DUMA VIAGEM (Publicado no Jornal sem Fronteiras/versão impressa jan/abril 2017)


REFLEXOS DUMA VIAGEM

Expectativas que desembarcavam
nos primeiros raios de sol refletidos
sobre as águas do rio Tejo.
Novos amigos enlaçados por um objetivo:
descobrimentos em Portugal numa travessia
sem fronteiras culturais.
Prosa e poesia em pauta, quadros embalados,
sentidos buscando um novo horizonte.
Lisboa e o fado nos envolveram.
Vivemos
ALALS, A C L A L, A C I M A,
MARIA FONTINHA, PHARMACIA, APP,
Lusofonias...
No Independência descobriram-se as telas:
cores e autores em destaque.
Palácio Pestana, aniversário e Antologia.
Percorremos mosteiros, vinhedos,
Coimbra.
Pessoa e Camões, Braganças, Conímbriga.
Em meio ao caminho, Inês e Pedro,
cantos e contos de amor.
(A)Porto(amos) Lello e Viana do Castelo.
Finda a jornada, iluminados,
brindamos o pôr do sol sobre o rio Dão.

Rosângela de Souza Goldoni
26 04 2017
Em agradecimento à Rede Mídia Sem Fronteiras.
Dyandreia Portugal e equipe.
Link do Jornal na página inicial do blog


domingo, 14 de maio de 2017

LÍNGUAS QUE NÃO SE RETRAEM





Nossos beijos escandalosos,
escondidos,
saborosos,
sempre lembram um ponto final.

Mas demonstram serem vírgulas,
pausas para respiração.

E do nada estamos juntos
cedendo à tentação.

Bocas que se atraem,
línguas que não se retraem,
Danem-se os nossos senões.

©rosangelaSgoldoni
29 01 2011
RL T 2 758 716 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

ESCRAVIDÃO EM LIBERDADE


Tela: Carlos Julião (sec. XVIII) 
Wiki



Chicote,
açoite,
pernoite no sal da angústia
a queimar.
Ferro em brasa,
marca e remarca,
peloiro,
propriedade particular.
Mercado,
senzala,
banzo,
correntes.
Sinhazinha,
sinhô e sinhá,
feitor,
homem de cor.
Quilombo,
a festa
negra
Liberdade?
- Favela.

Até quando?

©rosangelaSgoldoni
12 05 2017
RL T 5 997 556

quinta-feira, 11 de maio de 2017

ÚTERO (CON)SAGRADO


Mãe,
parida ou adotada,
ninho entrelaçado,
galhos em flor.
Pétalas que se contraem
ao encontro da vida.
Proteção que se perpetua além do voo.
Útero,
parido ou não,
(con)sagrado refúgio,
aconchego e
amor.

©rosangelaSgoldoni
11 05 2017
RL T 5 996 658

segunda-feira, 8 de maio de 2017

POEMA DAS COINCIDÊNCIAS


São sete as cicatrizes,
cabalístico ... você falou!

Então descobri ao acaso:
sete letras tem seu nome,
“Sinais”, fiz sete poemas,
no dia sete brindamos,
acreditei num final feliz.

Curiosa assim fiquei
somando, sempre somando,
coisas bobas, mas sutis.

Somadas nossas idades,
incrível, se igualam a seis.
Os prenomes adicionados,
iguais a vinte e três.

Brincando, sempre brincando,
você está a fugir,
pois há tanto desencontro
estou com dó de mim.

Coincidências, só coincidências,
é melhor que seja assim!

©rosangelaSgoldoni
01 11 2004
RL T 2 582 859

BALCÃO DE TROCAS





Troco o engarrafamento da cidade,
o buzinar incessante das ruas,
o reflexo do giroflex na janela,
a corrida dos pedestr ao atravessar a rua
X
engarrafamento de pássaros à procura de amoras,
o singelo martelar da araponga,
o pisca-pisca em alerta dos vagalumes,
a suavidade do caminhar com a pele  nua de monóxido de carbono.
“Amanhã eu vou”,
bacurau gritou.
Eu,
atrás do balcão,
a trocar-me o ano inteiro.

©rosangelaSgoldoni
06 05 2017
RL T 5 992 704

quinta-feira, 4 de maio de 2017

OS OITENTA ANOS DA MINHA MÃE


Hoje seriam 87

Seria hoje,
mas não deu tempo!
Oitenta anos,
mas não completos.
Quatro de maio:
um olhar de soslaio,
e você não está:
Não vou chorar!
O coração me pede
(não posso negar)
mesmo ausente,
você é presente
vou festejar!

©rosangelaSgoldoni
04 05 2010
RL T 2 507 609

quarta-feira, 3 de maio de 2017

TRISTEZAS DE UM POVO





Há um gosto amargo,
desidratado de ilusões,
alimentado  por aves de rapina
que sobrevoam este povo sacrificado.
Abutres que farejam dinheiro
sem piedade,
insaciáveis!
Ó Deus,
Senhor de todas as vidas,
todas as terras e todos os céus,
livrai-nos desta nuvem escura e pesada
que nos embaça a visão.
Permiti-nos visualizar um gesto de compaixão
e arrependimento,
mesmo que distante da realidade:
que se nutram de verdades
confissão ou delação.
Rogamos pela paz e recursos essenciais
previstos na Constituição Brasileira.

©rosangelaSgoldoni
03 05 2017
RL T 5 988 971

segunda-feira, 1 de maio de 2017

QUANDO TODOS SE CONHECEM


Era um sábado com presença confirmada num bingo beneficente promovido pela Associação de Moradores local. Hábito que se mantém nas cidades do interior.
Há três espaços comunitários nos arredores.
Arrumada, saio de casa e entro no primeiro, ali mesmo, na minha rua.
Muita gente da região. Sou cumprimentada e cumprimento todos.
Oferecem-me cerveja.
Agradeço.
Conversa daqui, conversa dali, um cachorro quente pra ser agradável e percebo que  alguma coisa que não combina com o ambiente de um bingo.
Deparo-me com um bolo...

Procuro a esfera metálica de bolinhas, tabuleiros e acessórios. Não os visualizo.
Pelo jeito, vai demorar.
Aguardava por uns 40 minutos quando desisti de esperar e decidi voltar para casa.
No pequeno trajeto ouço uma voz amplificada por um microfone.
Dou meia volta ao seu encontro.
O bingo havia começado no espaço comunitário da estrada (o terceiro).

Não entendi nada até me dar conta de que acabara de sair de uma festa de aniversário infantil para a qual não havia sido convidada.
Sorrir de mim foi a primeira reação.
A segunda desculpar-me com o anfitrião.
Bem, perdi a primeira rodada do bingo mas ganhei uma furadeira elétrica na terceira...

  
©rosangelaSgoldoni
01 05 2017 RL T 5 987 024

quinta-feira, 27 de abril de 2017

UMA TELA EM BRANCO


A tela do word em branco intimida-me.
Nenhum sentimento aflora nesta madrugada silenciosa.
Nenhum coaxar do sapo martelo lá fora.
Nenhuma brisa a soprar.
A vida em sono profundo, quase desfalecida.
Só a rosa sustenta sua frágil beleza na escuridão.
Retorno ao livro que me aguarda.
Viagens,
personagens...
Páginas que algum sentido farão.

©rosangelaSgoldoni
27 04 2017

RL T 5 983 310

terça-feira, 25 de abril de 2017

PACIÊNCIA


PACIÊNCIA

É preciso sentar e pacientar quando o planejado foge ao controle.
Nem tudo se resolve com hora marcada.

©rosangelaSgoldoni
25 04 2017
TL T 5 981 109

sexta-feira, 21 de abril de 2017

PASSO A PASSO




Ensaiou um sorriso a troco de nada,
Acreditou em retribuição
(não percebeu a tranquilidade estampada em sua face).
Certamente não lembrava
as tantas vezes que fizera aquele rosto marejar.
Ela,
passo
a
passo,
passou...
Ele,
passado,
desconcertou!

©rosangelaSgoldoni
21 04 2017
RL T 5 977 687