Rascunho versos. Neles, sentimentos.

quinta-feira, 29 de março de 2018

LOUCO POR SAMBA




Domingo. Quarenta graus. Janeiro.
Camiseta no corpo, partiu para a feijoada do Salgueiro ao encontro de amigos. Uma dose extra de samba na sua alegria, sabendo que o ar refrigerado da quadra funcionaria em evasivas.
Enquanto aguardava o ônibus, um dos loucos da sua rua parou, olhou para a camiseta, acenou com o polegar e perguntou:
- Você conhece o samba do Cubango? * (E. S. Acadêmicos do Cubango, Niterói)
Claro, respondeu de pronto, pensando livrar-me do incômodo.
Sem cerimônia cantou o samba até o final.
Ela acenou com o polegar e disse: - Valeu!
O ônibus apontou na esquina. Aliviada embarcou.
Ansiosa e faminta, mergulhou na multidão que se requebrava ao som do pagode do momento: impossível encontrar os amigos, pensou.
À feijoada!
Na fila, pode visualizá-los. Serviu-se com parcimônia. Afinal, a refrigeração não dava conta do calor humano em tamanha concentração.
A temperatura aumentou quando a Banda do Cordão do Bola Preta e, em seguida, a Marrom, foram chamados.
Depois do show, voltou para casa, sã e salva. Tinha atravessado a baía de Guanabara.
Dias depois, reencontraram-se.
 - Bom dia, “Madame”!
Estranhou. Ele a reconheceu.
- Bom dia!
Andou sumido por alguns meses (soubera que estaria internado para tratamento psiquiátrico).

©rosangelaSgoldoni
11 01 2015
RL T 6 294 445
Texto publicado na Antologia Em Verso e Prosa, Autores do Centro de Literatura do Museu Histórico do Exército e Forte Copacabana, 2018


domingo, 25 de março de 2018

PRESSA DE VIVER



Seu tempo andava apressado.
Não tinha tempo para bobagens,
amores de passagem ou de ocasião.
Novelas,
delongas,
milongas
não mais a atraíam
Libertou-se de velhos conceitos...
Enterrou medos e algumas lembranças
sem direito à missa de sétimo dia.
afinal,
a magia estava
em driblar o calendário!

©rosangelaSgoldoni
20 03 2018
RL T 6 290 690

segunda-feira, 19 de março de 2018

TRINADOS DE OUTONO



Estávamos distraídos.
Ele a trinar no fio,
eu entretida com a chuva.
Entre nós,
a máquina fotográfica.
Engatilhada,
arrepiou-se ao som indisfarçável do clique.
Redobrou-se em cantos de celebração ao outono
em final de verão.

©rosangelaSgoldoni
19 03 2018
RL T 6 284 807

quarta-feira, 14 de março de 2018

TREM FANTASMA



Um trem de silêncios passou sem rangidos,
vazio de saudades e recordações.
Não deixou fumaça, borrões ou zumbidos de apitos.
Carregava a leveza dos amores absolvidos
de todas as transgressões.
Adeuses inevitáveis e nada mais!

©rosangelaSgoldoni
14 03 2018
RL T 6 279 987

quarta-feira, 7 de março de 2018

SER MULHER




Objeto?
Porcelana da China?
Muralha de flores
a escudar-se da vida.
Pluralidade do ser,
respeito!

©rosangelaSgoldoni
06 03 2018
RL T 6 272 729

sábado, 3 de março de 2018

MAIS OU MENOS



Poesia sangria
ou seca de letras.
Tempos (di)versos:
O poema não morre.

©rosangelaSgoldoni
03 03 2018
RL T 6 270 160