RASCUNHOS DA ROGOLDONI

Rascunho versos. Neles, sentimentos.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

JARDIM DE INVERNO


Brotam no meu jardim de inverno
flores de primavera
banhadas por um sol de verão.
O outono, claridade,
tons de marron em realce,
despediu-se a tempo
de uma rosa em botão.
Explodem pétalas,
minúsculas e sapecas
para enfeitar
minha solidão!

©rosangelaSgoldoni
14 10 2011

RL T 6247268

sábado, 3 de fevereiro de 2018

UM VERÃO ABRASADOR




Fiava novelos com a espuma do mar.
A manta que a envolvia flutuava na beira da praia.
Imantada,
dançava
e
gravitava no vai-e-vem da maré.
Insana
entregou-se ao tempo do nunca
nas terras dos sem ninguém.
Só a estrelas testemunhavam
o delírio daquela sereia em caldas de frutos do mar.
Marejou centelhas de algas marinhas e
adormeceu nos braços de Iemanjá.

Delírios de um verão abrasador!


©rosangelaSgoldoni
02 02 2018

RL T 6 244 578

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

FEVEREIRO





Ser fevereiro.
Agendar alegria.
Humano em cinzas
renasce na quarta.

©rosangelaSgoldoni
01 02 2018
RL T 6 242 614

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O TUDO E O NADA


A cada viagem camuflada
o momento insinuava-se perene.
No entanto,
o momento era tudo o que tinham de seu.
Único,
lúdico,
súditos das madrugadas em chamas
que os transportava ao éden imaginário.
Amor
sem retratos,
fa-ti-a-do,
de-sen-ga-ja-do
da realidade que os cercava.
Noites onde o tudo e o nada se confundiam
em carícias que se diluíam ao amanhecer.
Viagem sem horizontes palpáveis,
Sentimentos vagos,
indefinidos.
Apenas momentos inadiáveis.

©rosangelaSgoldoni
29 06 2017
RL T 6 239 790

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O AMOR NUMA ETERNA VIAGEM




Este poema será publicado na Antologia Sem Fronteiras volume 3, 2018,
contemplada com menção honrosa.

O amor numa eterna viagem Acordos, compromissos à revelia, enlaces de vidas: alianças agendadas traçavam destinos de príncipes e princesas, reis e rainhas. O amor confinado às alcovas sombrias! Traições em família, desafetos reais ou conjugais sem culpas residuais. Sensível fatalidade no correr dos trezentos, um amor imprevisto. Pedro príncipe, Inês e Constança, princesa e aia em comitiva. Famílias. Na boca do povo, filhos de lá, filhos de cá, Inês no convento. Alimentava-se das cartas de Pedro transportadas em barquinhos de lágrimas. Santa Clara testemunhava este amor. Morre Constança, desgosto, diziam. Pedro viúvo, amor consentido. Sorriam. Ah, o tempo! Encarregou-se do crescimento dos filhos. Os de lá e de cá (estes, bastardos). Sucessão em causa, faca, Inês é morta! Morte em vida que vivia em Pedro. Exagero? Cadáver rainha aos súditos proclamada. Túmulos que se atraem em transes de eternidade. Alcobaça por testemunha. Pedro e Inês, amor que ultrapassou as desilusões!






sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

COPACABANA



Mar em lágrimas.
Calçada afrontada.
Sal (des)tempero.

©rosangelaSgoldoni
19 01 2018

RL T 6 230 906


Haicai num misto de natureza e tristeza.
Um automóvel desgovernado atingiu pessoas no calçadão na noite de 18 01 2018.
Um óbito e feridos graves.