quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

APRENDIZADOS DE VIDA




As lembranças continuavam a
tangenciar sua vida
nas curvas onde os pensamentos derrapavam.
Beliscava sua consciência,
peneirava a essência do bem e sorria
em agradecimento ao que viveu.
Percebeu a importância do negativo
ao aprendizado necessário
(nada que não fosse superado).
Aluna aplicada,
praticava as artes de
perdoar-se,
desculpar-se,
sorrir e
ser feliz!
Viver foi e será um ato de amor!

©rosangelaSgoldoni
03 02 2020
RL T 6 875 880

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

MEU SAMBA-ENREDO



Meus carnavais eram bem aproveitados.
Começavam às quintas-feiras à noite no baile de um clube local programado para terminar às 04.00h, como os demais. Dormia o que pudesse e rumava ao trabalho.
A partir daí, sexta, sábado, domingo, segunda e terça, sendo que na quarta de cinzas às 11.00 h havia uma folha de ponto para ser assinada.
Eram seis dias de folia ininterrupta.
Quando os filhos chegaram, os bloquinhos infantis à tardinha. À noite, o desfile numa escola de samba da cidade do interior onde a família aproveitava o período.
Percebi que, com o passar do tempo, também passou a empolgação carnavalesca.
Hoje, quando observo os jovens se divertindo, penso: não faz sentido!
Corrijo-me imediatamente: são ciclos. O momento é deles!
Aplaudo também os que, independentes da idade, conservam seu espírito de folião.
E vamos a mais um carnaval sem alegorias ou gingados, ou melhor, cada um com o seu samba-enredo, estandarte e significados.
Feliz carnaval a todos!

©rosangelaSgoldoni
17 02 2020
RL T 6 870 150

domingo, 16 de fevereiro de 2020

SENTIMENTAIS E ROMÂNTICOS





Seus quereres desaceleraram,
passagens se estreitaram,
a vida despiu-se d’alguns prazeres.
Relembrou a contragosto
alguns rostos que partiram
sem tempo para dizer adeus.
Resgatou seus sonhos empenhados
no banco dos sentimentais e românticos por profissão
e sorriu de si mesma:
brindou a um futuro sem amores descartáveis
e falsas ilusões.

©rosangelaSgoldoni
04 05 2019
RL T 6 867 581

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

GRATIDÃO POR NATUREZA




Assistindo às imagens das moradias invadidas pelas águas, pessoas em desespero, doentes sendo removidos em botes pelos bombeiros, volto à casa da minha infância cujo muro dos fundos fazia divisa com um valão.
Chuva forte era sinônimo de atenção interior (ainda não existiam serviços de prevenção): corre-corre para suspender alguns móveis e o pouco que possuíamos em roupas (não tínhamos geladeira nem televisão).
Quase sempre à noite, água escorrida, lama assentada com sanguessugas e, vez por outra, alguma cobra.
Minha mãe, mulher de pouco estudo mas forjada na lida, rodo e vassoura à mão, creolina era a única saída. Caro leitor, literalmente a casa FEDIA, desinfetada e limpa.
Houve tempos em que a família sentada na janela do quarto esperava a hora de abandonar a casa. Nunca foi preciso.
Senhor Jesus, vivenciei e me orgulho da superação desses tempos passados, entendo os NÃO passos dos imobilizados pelas águas de hoje.
Deixo a certeza de que nada é para sempre. Basta cultivar fé e vontade de buscar oportunidades.
A natureza também me ensinou que Gratidão faz parte do portfólio de vida.


©rosangelaSgoldoni
11 02 2020
RL T 6 863 771

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

A PORTA DO QUARTO





Então,
ficamos assim combinados:
apesar de continuarmos gostando,
você não passa da porta do quarto.

Somos uma história de amor
que forma um belo mosaico.
Idas e vindas sem dor,
mas agora é caso engasgado.


©rosangelaSgoldoni
RL T 2 813 385
25 02 2011

sábado, 8 de fevereiro de 2020

ANÁLISE




A distância não é obstáculo:
transformou-se em sustentáculo
dessa obsessiva compulsão.

Quanto mais longe, mais perto
meu raciocínio está certo
independe do coração.

Você é protagonista
desta história surrealista
minha vida em contra-mão!

©rosangelaSgoldoni
26 04 2009

RL T 2 544 188

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

DAS MEMÓRIAS DO CIGARRO



Desvencilhei-me de um apêndice imaginário!
Falso prazer,
falso calmante,
falso elegante
no cheiro da roupa,
na boca,
nos cabelos.
Agora,
a casa
em aromas de lavanda e
a face em brilho acetinado,
atestam que
há dois anos o cigarro partiu!
Se para sempre não sei,
não devo proclamar como verdade.
Hoje foi mais um dia!

©rosangelaSgoldoni
07 02 2020
RL T 6 860 115

domingo, 2 de fevereiro de 2020

SÚPLICA



Como não reagir aos maus-tratos que me impõem
na modernidade dos tempos?
Como não transbordar a
fechamentos em concreto do meu leito original?
Como respirar os óxidos e monóxidos
do efeito estufa provocado pelos escapamentos,
motores ou incêndios pelas matas a rolar?
Enchentes, tsunamis, terremotos,
avalanches, vômito de lavas, nevascas...
Oh homem negligente,
imprudente nas suas decisões,
reverte teus desfeitos e
refaz naturalmente o presente
em tramas do bem-estar da tua casa!
Recarrega tua arma com açúcar,
atira contra o céu de nuvens brancas
e as crianças cobrir-se-ão de algodão doce.
Replanta a floresta em verde-escala,
degradés, arvoredos, bicho e mata,
borboletas celebrando a natureza.
Acorda homem fútil e inconsequente,
repense o combustível poluente
concede-me liberdade e fluidez!
Recicla-te!
O meio ambiente implora
e o planeta residência agradece!

©rosangelaSgoldoni
01 02 2020 RL T 6 856 630

VERSOS PANDÊMICOS

Sem respeitar fronteiras, fraciona vida e morte em lotes de horror. Separadas por tubos e muros, famílias se desencontram ...