segunda-feira, 25 de novembro de 2024

MEU PRIMEIRO SUTIÃ




Eu,

na verdade,

nem me lembro,

talvez um contrassenso à peça publicitária.

Registro bem os momentos do primeiro pagamento!

Salário, contracheque,

ensaios de independência

tão sonhada na adolescência.

Num primeiro contrato de trabalho,

março, abril, maio, junho e julho;

agosto surge como realidade financeira:

um montante acumulado de sonhos.

Sem deslumbramentos,

pés no chão,

agasalhos “ban-lon” para a mãe não sentir mais frio

(um conforto merecido além do imaginado).

Bolsa de couro e o primeiro guarda-chuva

(eu merecia!)

Presentes para o pai, irmão, irmã.

Quanta alegria!

Lembro-me ainda do meu querer

um pouco mais pela dignidade de viver...

Contrato que findara em dezembro

renovou-se em fevereiro

com estabilidade noutro segmento

até a aposentadoria.

Como esquecer a marca desta conquista?

 

©rosangelaSgoldoni

03 11 2024

RL T 8 205 333


terça-feira, 12 de novembro de 2024

JANELAS

 

Chegava do nada

na calada da noite,

sorriso nos lábios

e braços a postos.

Sempre um Campari a celebrar!

Madrugadas festejadas

no desarrumar dos lençóis.

A lua espionava inquieta,

janela discreta

a filtrar emoções.

A vida corria lá fora

contra o relógio

em descompasso de viver.

Ao amanhecer,

o sol,

janela agora indiscreta,

os devolvia ao comum dos dias

entrecortados de solidão.

 

©rosangelaSgoldoni

01 09 2024

RL T 8 195 185

UM NOVO CARNAVAL

  A sede do novo leva-me ao encontro do desconhecido. O que seria em família refaço em grupo, entre faces renovadas. Meu carnaval distante, ...