segunda-feira, 24 de junho de 2024

EU & ALICE: Faz de Copas!


O silêncio invade a casa e

percorre os labirintos do (não) ouvido.

Em Terras de Alice,

o tempo corre tal um coelho alucinado,

não tem tempo para esquecer o passado.

O presente escorre

pelos ponteiros do relógio maluco

atrás de um futuro

que se esconde no fundo de uma cartola mágica.

Sinais de vida humana

no críquete real,

a rainha louca vence a partida

onde a sorte não foi lançada.

Lá,

onde a maravilha repousa,

o gato de Cheshire sorri da espantada Alice

e seus desafios.

Entre chás e bolos de um lanche sobre a relva

despertamos,

eu e Alice,

nos braços de um raio de sol.

 

©rosangelaSgoldoni

28 05 2024

RL T 8 092 848


segunda-feira, 17 de junho de 2024

A Revolta do Proibido (reflexões de uma ex-fumante)

 

Assistindo a um programa na TV sobre os danos causados pelo uso do cigarro e vapes, retorno à juventude ao relembrar meus 17 anos.

Pai amoroso, naquele momento ex-fumante, em surtos autoritários:

- Se eu te pegar fumando, arrebento teus dentes!

Doce melodia aos ouvidos de uma jovem que sonhava ganhar o mundo.

À época, no meu ponto de vista, fumar rimava com independência.

Comecei fora de casa, com amigos, claro, comprando com o dinheiro economizado da mesada.

Muita bala de hortelã até voltar para casa.

A roupa nunca negou o cheiro e um dia ele, decidido, me enfrentou:

- Você está fumando?

Respondi que sim e, para minha surpresa, me presenteou com uma carteira de cigarros e uma caixa de fósforos.

Não entendi nada, mas era tarde.

Anos se sucederam, algumas tentativas inúteis de romper com o vício, sempre a responsabilizá-lo pela minha fraqueza. Ele, ia e voltava, até que parou definitivamente. No seu leito de morte fizera-me prometer que deixaria o vício.

Prometi, mas não cumpri.

Um manto de culpas descartado com a desculpa de que no leito de morte tudo seria absolvido.

Os fundamentos eram sempre os mesmos: gostava, fazia-me bem e acalmava-me (mesmo ciente de que a cada tragada o coração acelerava).

Quase 50 anos depois me rendi. Por mim e por um pouco de dignidade na terceira idade.

Há seis anos e meio, dias ultrapassados com serenidade.

E por falar em dignidade, nunca fui sedentária. Sempre pratiquei e ainda pratico exercícios físicos, o que talvez tenha me permitido uma certa estabilidade pulmonar.

Quanto ao meu pai, finalmente entendi que, as ameaças, eram o único meio do qual dispunha para me defender e quando nos reencontrarmos vamos fazer troça desta situação.

 

©rosangelaSgoldoni

10 06 2024

RL T 8 087 796


Laços de vida nos fios de um marcapasso

  Acordei no chão sem nada entender até perceber que sofrera um desmaio. Muitas perguntas sem respostas em busca por explicações. Dia e hora...