terça-feira, 24 de dezembro de 2024

SINAIS DE NATAL

 

O medo percorre esquinas,

entrelinhas,

pensamentos

becos e vielas,

avenidas...

Circula nas veias

das cidades grandes,

nos semáforos

nos corações pulsantes

em descompasso

de uma realidade social

que se pretende viável.

A paz dos mortais em

choque de insegurança;

balas à esmo,

guerras sem apreço,

noites insones,

cruzamentos em histeria:

um sinal verde transformado em roleta russa por mãos displicentes.

Que as luzes do Natal reacendam o espírito

da tolerância,

da boa vontade e

e da consciência de sermos humanos numa

desejável convivência pacífica.

 

©rosangelaSgoldoni

24 12 2024

RL T 8 226 074


segunda-feira, 25 de novembro de 2024

MEU PRIMEIRO SUTIÃ




Eu,

na verdade,

nem me lembro,

talvez um contrassenso à peça publicitária.

Registro bem os momentos do primeiro pagamento!

Salário, contracheque,

ensaios de independência

tão sonhada na adolescência.

Num primeiro contrato de trabalho,

março, abril, maio, junho e julho;

agosto surge como realidade financeira:

um montante acumulado de sonhos.

Sem deslumbramentos,

pés no chão,

agasalhos “ban-lon” para a mãe não sentir mais frio

(um conforto merecido além do imaginado).

Bolsa de couro e o primeiro guarda-chuva

(eu merecia!)

Presentes para o pai, irmão, irmã.

Quanta alegria!

Lembro-me ainda do meu querer

um pouco mais pela dignidade de viver...

Contrato que findara em dezembro

renovou-se em fevereiro

com estabilidade noutro segmento

até a aposentadoria.

Como esquecer a marca desta conquista?

 

©rosangelaSgoldoni

03 11 2024

RL T 8 205 333


terça-feira, 12 de novembro de 2024

JANELAS

 

Chegava do nada

na calada da noite,

sorriso nos lábios

e braços a postos.

Sempre um Campari a celebrar!

Madrugadas festejadas

no desarrumar dos lençóis.

A lua espionava inquieta,

janela discreta

a filtrar emoções.

A vida corria lá fora

contra o relógio

em descompasso de viver.

Ao amanhecer,

o sol,

janela agora indiscreta,

os devolvia ao comum dos dias

entrecortados de solidão.

 

©rosangelaSgoldoni

01 09 2024

RL T 8 195 185

terça-feira, 29 de outubro de 2024

VERSOS À LA CARTE

 

Inspirar...

Expirar...

Movimentos

a ritmar a vida em

versos suspirados.

Da alegria,

sintonias em escala musical.

Da tristeza,

caminhos a liberar endorfinas,

purificação emocional.

Máscaras e fantasias,

poesias,

em rimas festivais.

Entre linhas,

o poema despido,

alimenta

sonhos ou pesadelos,

calma ou desassossegos,

embalados pela realidade.

 

©rosangelaSgoldoni

28 10 2024

RL T 8 184 987


segunda-feira, 14 de outubro de 2024

BISNONNA ITALIA



Itália ancestral renova-se em minhas retinas.

Entre memórias perdidas,

Amalfi, Positano,

limão siciliano,

culinária,

moda,

natureza.

Gestos largos e

olhares de admiração à cultura do Lácio.

Sonhos de Verona

despertam Romeus e Julietas.

Assis e Pádua,

abençoadas jornadas pelos canais de Veneza.

Miquelângelo e Leonardo

renascem a cada esquina

a celebrar Florença.

Roma,

a deslizar entre as águas do Tibre,

passeia por suas praças,

monumentos

e cesares imperativos.

Pedro,

do Vaticano,

estende seus braços sobre a paz

que sonhamos alcançar.

Itália,

Itália mia!

 

©rosangelaSgoldoni

13 10 2024

RL T 8 173 188

 

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

PLANETA OFEGANTE

 


O homem

mata e desmata,

queimadas;

excede-se em poluentes,

enchentes;

delírios respiratórios,

monóxidos;

faz-se prepotente,

natureza eloquente

defende-se!

Nas chuvas devastadoras,

na seca a matar sementes,

no vento a soprar o fogo,

na geleira a derreter-se,

águas que se elevam

ou rios que minguam seus cursos.

Chuva negra!

Homem, impotente!

Quem sabe repensar o progresso

na certeza de

alçar o planeta

à categoria de

LAR.

 

©rosangelaSgoldoni

13 09 2024

RL T 8 155 249


segunda-feira, 2 de setembro de 2024

UM CONVITE A SORRIR




Perseguia caminhos sem alcançá-los.

Buscava o motivo.

Seria destino ou

escolhas erradas pelo mau uso do livre-arbítrio?

Não precisou de muito tempo para

perceber que seria a única responsável

pelas suas atitudes,

temperos e destemperos vividos.

Tratou de retemperar-se,

descartar culpados e

relativizar certezas.

Emoção à parte,

reavaliações a tempo de aceitar

que nem todos os caminhos mereciam atenção.

Renovada em sentidos,

alçou voos no seu prosseguir.

Deixou-se conduzir pelo tempo

que a convidava a sorrir.

 

©rosangelaSgoldoni

07 07 2023

RL T 8 142 861

terça-feira, 27 de agosto de 2024

INSTAGRAM REDE SEM FRONTEIRAS

Rede Mídia sem Fronteiras

 https://www.instagram.com/reel/C_Ln6ehxDq2/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

terça-feira, 13 de agosto de 2024

NO COLO DA INSÔNIA

 

                                                                    Noite em insônia.

Da janela,

observo um encharcar de pingos a decorar o jardim.

Percebo um sorriso discreto do canteiro

pela inesperada e necessária hidratação.

A terra molhada vibra em odores de fertilização.

O barulho compassado da

chuva ensaia infiltrar-se

no labirinto das lembranças.

Sensores da razão em alerta...

Sossega coração!

Boas, liberadas!

Sofridas, desenharam o caminho.

Tudo válido e devidamente resolvido.

A chuva sai do cenário e

a insônia acomoda-se no colo do sono.

Sonhos!

 

©rosangelaSgoldoni

10 08 2024

RL T 8 128 284


segunda-feira, 29 de julho de 2024

O TRÂNSITO DAS ÁGUAS


 

Da nascente ao parto,

passamos,

eu e o rio,

ao logo das estradas da vida.

Margeada de sonhos,

contorno obstáculos,

transbordante alegria.

Mansidão,

ou

tempestade,

cursos que se alternam

sem escolhas.

Há de se prosseguir!

Águas no leito

ou nos olhos,

poros,

correm soltas

até a desembocadura,

sepultura,

onde

tudo se evapora em transes de renascer.

 

©rosangelaSgoldoni

26 07 2024

RL T 8 117 478

segunda-feira, 8 de julho de 2024

COLORINDO O CABELO E AS IDEIAS


 

Sou o agora

que me envolve e abraça

a cada volta do ponteiro.

Sem retoques em fotos presentes,

não me ocupo do passado sem rugas.

Sou o momento

onde resiste

um tanto de inteligência natural

e me divirto com as palavras férteis.

Além da artificialidade,

reside uma lucidez teimosa

a deitar-se sobre o teclado:

gosto de brincar

de viver intensamente o agora!

A bem da verdade,

ainda me permito colorir os cabelos

e as ideias.

 

©rosangelaSgoldoni

26 06 2024

RL T 8 102 457

segunda-feira, 24 de junho de 2024

EU & ALICE: Faz de Copas!


O silêncio invade a casa e

percorre os labirintos do (não) ouvido.

Em Terras de Alice,

o tempo corre tal um coelho alucinado,

não tem tempo para esquecer o passado.

O presente escorre

pelos ponteiros do relógio maluco

atrás de um futuro

que se esconde no fundo de uma cartola mágica.

Sinais de vida humana

no críquete real,

a rainha louca vence a partida

onde a sorte não foi lançada.

Lá,

onde a maravilha repousa,

o gato de Cheshire sorri da espantada Alice

e seus desafios.

Entre chás e bolos de um lanche sobre a relva

despertamos,

eu e Alice,

nos braços de um raio de sol.

 

©rosangelaSgoldoni

28 05 2024

RL T 8 092 848


segunda-feira, 17 de junho de 2024

A Revolta do Proibido (reflexões de uma ex-fumante)

 

Assistindo a um programa na TV sobre os danos causados pelo uso do cigarro e vapes, retorno à juventude ao relembrar meus 17 anos.

Pai amoroso, naquele momento ex-fumante, em surtos autoritários:

- Se eu te pegar fumando, arrebento teus dentes!

Doce melodia aos ouvidos de uma jovem que sonhava ganhar o mundo.

À época, no meu ponto de vista, fumar rimava com independência.

Comecei fora de casa, com amigos, claro, comprando com o dinheiro economizado da mesada.

Muita bala de hortelã até voltar para casa.

A roupa nunca negou o cheiro e um dia ele, decidido, me enfrentou:

- Você está fumando?

Respondi que sim e, para minha surpresa, me presenteou com uma carteira de cigarros e uma caixa de fósforos.

Não entendi nada, mas era tarde.

Anos se sucederam, algumas tentativas inúteis de romper com o vício, sempre a responsabilizá-lo pela minha fraqueza. Ele, ia e voltava, até que parou definitivamente. No seu leito de morte fizera-me prometer que deixaria o vício.

Prometi, mas não cumpri.

Um manto de culpas descartado com a desculpa de que no leito de morte tudo seria absolvido.

Os fundamentos eram sempre os mesmos: gostava, fazia-me bem e acalmava-me (mesmo ciente de que a cada tragada o coração acelerava).

Quase 50 anos depois me rendi. Por mim e por um pouco de dignidade na terceira idade.

Há seis anos e meio, dias ultrapassados com serenidade.

E por falar em dignidade, nunca fui sedentária. Sempre pratiquei e ainda pratico exercícios físicos, o que talvez tenha me permitido uma certa estabilidade pulmonar.

Quanto ao meu pai, finalmente entendi que, as ameaças, eram o único meio do qual dispunha para me defender e quando nos reencontrarmos vamos fazer troça desta situação.

 

©rosangelaSgoldoni

10 06 2024

RL T 8 087 796


domingo, 26 de maio de 2024

(IN) DEFINIDOS

 

Almas quase gêmeas,

não se aceitavam em metades por definição.

A cada encontro,

solidões e anseios:

entregavam-se ao momento.

Deixavam-se

ao abandono do corpo

sem que suas mentes pudessem

voar lado a lado.

Nuvens que se perdiam

pelas estradas dos sonhos impossíveis.

Realidades e verdades à parte,

foram felizes do seu jeito,

sorrisos a festejar a vida,

carinhos e atenção redobrada a cada encontro.

Tamanha delicadeza não precisava uma definição.

 

©rosangelaSgoldoni

26 05 2024

RL T 8 071 980


quarta-feira, 8 de maio de 2024

RIO GRANDE DO SUL E AS CHUVAS DE MAIO DE 2024

 

Descia sem que fosse percebida.

Inundou vidas de sede e incertezas.

Invadiu ruas,

casas e

estradas;

interrompeu vidas.

Destruiu sonhos

e

plantios.

Chuvas rios abaixo,

Guaíba em prontidão de recolhimento.

Transbordaram ansiedades e sofrimento

revestidos de esperança.

A fraternidade gaúcha

promove sobre o Rio Grande do Sul

uma ciranda de almas em solidariedade

à sobrevivência e reconstrução.

Eu,

do meu sofrer,

imagino Quintana passarinho

a sobrevoar a Praça da Alfândega

com suas Reminiscências* da enchente de 1941...

2024 renovada invasão.

 

©rosangelaSgoldoni

08 05 2024

RL T 8 059 221

*Reminiscências: Poema de Mario Quintana escrito em 1941 sobre as enchentes em Porto Alegre. Publicado em 1948.


sábado, 4 de maio de 2024

domingo, 28 de abril de 2024

ALUADOS



Tramas de lua.

Poeta enredado.

Versos evaporam-se entre nós...

Enamorado poema.

 

©rosangelaSgoldoni

23 04 2024

RL T 8 051 856


terça-feira, 23 de abril de 2024

UM POEMA RADICAL (Solicitado para uso escolar no Ensino Fundamental II)


 

Agradeço

Um Poema Radical

Infelicidade
Insensatez
Infidelidade
Invalidez

Não se fie no prefixo
Opte pelo radical
Acresça um bom sufixo
Quem sabe adverbial?

Candidamente
Solenemente
Verdadeiramente
Substancial
(que palavra genial)

Seja grego ou latino,
Tenha muita atenção
Cuide do seu destino
Cuide da derivação!

A palavra lançada
É energia não resgatada.

©rosangelaSgoldoni
23 12 2010 
RL T 2 687 273


sábado, 20 de abril de 2024

INSANIDADES E AMOR

 

Quantas loucuras entre nós

sem que precisássemos de provas...

Momentos a celebrar intenções,

isentos de premeditações

ou engendramentos.

Para o que não sabíamos

ou não pretendíamos entender,

sentimentos a vagar em

sentido contrário à razão.

Viver era imediato

num futuro sem previsões.

Espontâneas e inesperadas,

loucuras falavam por mim,

por você,

por nós

num sorriso que perpetuava o momento.

 

©rosangelaSgoldoni

14 04 2024

RL T 8 046 203


sexta-feira, 5 de abril de 2024

VENTOS, ABRIGOS E DESERTOS



Esparrama-se o olhar em sonhos

neste imenso horizonte

quase deserto...

Ventos a envolver-me

em suspiros e lembranças.

Face encoberta em lenços a

proteger do açoite ríspido do frio.

Ao fundo,

o lago projeta-se em claridade

abissal sobre minh’alma ...

Êxtases e surpresas a aguçar-me

o curioso e teimoso pulsar de vida.

Nuvens, promessas de abrigo

e refúgio aos sentidos renovados e revividos.

Natureza bruta em delicadezas de olhar e sentir

na Patagônia a vibrar em luminosidades.

©rosangelaSgoldoni

RL T 8 035 380

04 04 2024


quarta-feira, 20 de março de 2024

CICLOS EM OUTONO


 

Ainda alimentada pelo pulsar da vida,

deixa-se conduzir pela maciez do

toque,

do abraço e afago

das antigas recordações.

Desperta em lembranças,

quiçá esmaecidas pelo tempo,

revigorando

-se no céu a renovar-se em claridade.

Revolve baús em busca

dalgum guardanapo guardado e

rabiscado na efemeridade

de um momento passado.

Somente ele,

eterna vocação,

o outono e sua brisa,

regem a sinfonia

das suas estações!

Põe-se a garimpar emoções

nos dourados que lhe envolvem.

 

©rosangelaSgoldoni

RL T 8 023 952

19 02 2024


quinta-feira, 7 de março de 2024

MULHER EM PLENITUDE

 

O estereótipo da subserviência,

obediência,

natureza frágil...

Predadores à espreita,

um soco,

olho roxo,

- Foi a última vez!

Para quem?

Mulher,

não credite normalidade

ao último gole de bebida;

a última briga ou safanão.

Preserve-se mulher inteira,

mãe, amiga, companheira,

ao sonho, tintas de razão!

Ao medo,

fé e enfrentamento;

à dependência, educação e trabalho;

ao preconceito,

dignidade e respeito;

ao amor,

certezas de paz

e possibilidades!

Viva mulher,

ser humano em plenitude!

 

©rosangelaSgoldoni

07 03 2024

RL T 8 014 750


sábado, 24 de fevereiro de 2024

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

ATREVIMENTO EM RUGAS


 



Atrevo-me em rugas

nos sorrisos,

sisos

ou

lágrimas incontidas.

Sem recursos e retoques,

assumo a tortuosidade

dos caminhos percorridos,

ultrapassados

e

vencidos

estampados na face!

Ah,

tempo que te quero em vida

de

aplaudir momentos

em eterno descobrimento.

 

©rosangelaSgoldoni

28 01 2024

RL T 8 003 864


UM NOVO CARNAVAL

  A sede do novo leva-me ao encontro do desconhecido. O que seria em família refaço em grupo, entre faces renovadas. Meu carnaval distante, ...