sábado, 9 de abril de 2022

MULHER DE RIMAS (em homenagem a Cecilia Meireles)



Obs: a data do certificado é o dia em que a Poemas à Flor da Pele

comemora 16 anos.



Sonhei-te,

Cecilia,

em versos embalados em papel carmim,

poesia e nostalgia

sem garantias de um final feliz!

Procurava-me entre as fases da tua loucura

lúdica, mística ou confusa,

transmutando-me numa mulher de luas

e luares refletidos tão dentro de mim.

Noites de varanda,

suspiros de gardênia despertavam tremores,

odores e clamores sem certezas e cores,

ensaiados à exaustão por sedução de amor.

Traduzi-me num canto do bem-te-vi

a trinar por aquela ausência.

Suplico-te,

Cecília:

ensina-me a ser mulher de rimas,

quem sabe poeta e alguma estima

pelos versos que me devolvam à sensatez!

 

©rosangelaSgoldoni

RL T 7 491 485

30 03 2021


sábado, 2 de abril de 2022

AQUI E AGORA

 

Reencontro-me neste mergulho lúdico

festejando o encanto do teu olhar.

Na calmaria deste sonho,

desprotegida de mim,

aceito,

 num faz-de-contas,

transformar lonjuras inalcançáveis  

em aqui e agora,

sem vontades para acordar.

O despertar inevitável dá-se

em plena lucidez outonal.

Ventos sopram os sonhos

em movimentos contínuos,

arrepios e calafrios,

desembarque na próxima estação;

inverno acinzentado

reinventado nas cores do arco-íris.

 

©rosangelaSgoldoni

01 04 2022

RL T 7 486 684


sábado, 26 de março de 2022

AMOR SEM POR QUÊS

 


Eram tempos de outono.

Desprevenidos,

envolveram-se

num manto dourado de alucinações

enquanto dançavam um bolero

ao redor das mesas de um boteco qualquer.

Paixão ao primeiro abraço,

entregaram-se sem pudores ao

passos que os conduziram aos descaminhos da paixão.

Era tudo tão verdadeiro,

intenso,

inesperado,

sentimental...

Da paixão ao amor,

um percurso acidental.

Moviam mundos e leitos

numa busca transcendental.

A razão invocada

desentendeu-se com o amor

que sobreviveu ao poema

nas entrelinhas dos

por quês e resistências.

 

©rosangelaSgoldoni

24 03 2022

RL T 7 481 660


sábado, 19 de março de 2022

À PROCURA DE UM POEMA

 

Não há sílabas para juntar.

As palavras escondem-se talvez por necessidade

de nada dizer.

O verbo calado inibe o poema em transe de criação.

Ilusões fonéticas deliram desconexas

num sonho de ritmos a tramar poesias.

Num transverso de lucidez

recobro a intimidade métrica

em vias de recomposição.

O poema desintegrado regenera-se

à luz da sensibilidade

e sobrevive aos tempos de escuridão.

O poeta ressuscita em meio a um turbilhão de emoções.

 

©rosangelaSgoldoni

19 03 2022

RL T 7 476 355


sexta-feira, 11 de março de 2022

CHUVAS, AMANHÃ OU DEPOIS...

 

Dizem que vem por aí...

Amanhã ou depois,

quem sabe a tempo de

me resgatar do calor  

que sufoca ao

afogar-me no sal do suor...

Mergulhos

rio abaixo

rumo ao

mar à espreita de gotas...

Saudades da chuva

em remanso de vida

trazendo

aromas da terra,

sulcando pingos na estrada,

erguendo vapor do asfalto...

Saudades do seu balé sustentável

no conforto das plantas

e na janela do meu quarto.

 

©rosangelaSgoldoni

11 03 2022

RL T 7 470 437


sexta-feira, 4 de março de 2022

PELA UCRÂNIA


Seu olhar frio dispara

mísseis enfurecidos

alimentados pelo ódio e afirmações de poder.

Ensandecido pelo desprezo à razão

empurra o ser humano para uma trajetória desumana.

Arrasta histórias e vidas

numa rota de fuga incerta e solidária.

Solidariedade dos incautos e sofridos de outras guerras pintadas

nas cores da fome, sangue e desespero.

Que o branco e a sensatez possam diluir os matizes da DOR

das crianças,

dos pais,

da família,

de um povo e sua identidade.

 

©rosangelaSgoldoni

04 03 2022

RL T 7 465 135


PRIMAVERA, UM PRESENTE A CELEBRAR!

  Início de tarde em melancólico nublado, vibrações de primavera a renascer em flores; redescubro meu sorriso em colorida estrada, can...