quarta-feira, 29 de abril de 2020

DA QUARENTENA AO POEMA



Aquela solidão não agendada
andava desconfortável.
Obedecia aos chamados do racional constituído
em conselhos de pressa por isolamento de um vírus.
Entregou sua liberdade às rédeas
de alguns sintomas e sentou-se ao abrigo da informação.
Esperou, esperava...
Sonhava com uma vacina que libertasse seu mundo de infectados.
Soprou letras sobre uma tela escura e,
num passe de mágica,
a despeito da máscara,
filtrou versos e ventilou um poema.
Sobreviveu à quarentena!

©rosangelaSgoldoni
28 04 2020
RL T 6 932 262

quarta-feira, 22 de abril de 2020

ABRAÇO UNIVERSAL



Passa
não
passa;
repassa,
transpassa
ou
perpassa?
O tempo em vírus de morte mascara-se nas faces
que caminham reclusas pelas ruas.
Inclusão relegada a quatro paredes.
A vida celebra a resistência lúcida
em busca do abraço universal.

©rosangelaSgoldoni
22 04 2020
RL T 6 925 821

quinta-feira, 16 de abril de 2020

DAS ROSAS




o aroma
sensual em
pétalas
cristalizadas
pela
garoa
inesperada.
O luar tímido desmaia sem
nada entender.
Ao amanhecer
evaporam-se
os cristais
ainda deslumbrados.
As pétalas desnudam-se
e retomam sua maciez aveludada.
O perfume não resiste aos despudores do sol e
esparrama-se pelo jardim.

©rosangelaSgoldoni
23 02 2020
RL T 6 919 376

quarta-feira, 8 de abril de 2020

DISTANCIAMENTO SOCIAL



Constatações deste momento de vida.
Meu distanciamento social rotulo como relativo, afinal desço todos os dias. Caminho por 25 minutos no condomínio e troco um dedo de prosa com o porteiro, gente boa e bem informado.
Os delivery’s da vida também são entregues por gente de carne e osso.
Filho no corredor; neto, filha, filha do Rio por chamada de vídeo (quando era criança, ouvia dizer que um dia falaríamos com as pessoas por telefone frente a frente...).
Tem a família e amigos no zap.
Confesso que fugi à rua por duas vezes (claro, com máscara). Fui à farmácia e, hoje ao mercado. Tudo muito rápido. Tipo fugidinha de idoso de idade mais avançada.
A rua parecia nua de gentes e de carros.
Os filhos quando souberam, zangaram.
Digamos assim, a virtualidade se impôs nesses tempos de um novo vírus.
Agradeço por respirar com tranquilidade, caminhar com alegria, pela família, ter amigos reais e virtuais, todos vocês aqui no face, vez por outra chateações que tiro de letra: isso significa que estou viva.
Por que escrevi essas linhas?
Lembrei-me dos médicos que sequer tiveram tempo de ligar para desmarcar suas consultas.
Mas tudo tem o seu tempo e ele também passa.
Um beijo a todos.

rosangelaSgoldoni
07 04 20
RL T 6 910 245

domingo, 5 de abril de 2020

UMA QUADRA EM ORAÇÃO




Santa Mãe, orando aos céus,
na semana em quaresma divina,
conclamamos seu manto e véu,
para vírus rogamos vacina!

©rosangelaSgoldoni
05 04 2020
RL T 6 907 767

quinta-feira, 2 de abril de 2020

APETITES



Senhor das chuvas,
neblinas e
subterfúgios,
camuflava-se entre névoas
nas noites em que a lua minguava naquele quarto.
Sabia da porta entreaberta e
achegava-se sem bater.
Anunciar o quê?
Faminto de todos os apetites
doava-se em afeto e atenção.
Partia sorridente e saciado.
Nas mãos,
um buquê de bem me queres.


©rosangelaSgoldoni

10 02 2020
RL T 6 904 769