quinta-feira, 7 de novembro de 2019

ARRUMAÇÃO



Uma freada inesperada sacudiu sua vida.
Estancado no vazio das impossibilidades
o presente demandava por um tempo
sem por quês ou lamentações.
Precisava vislumbrar um futuro acalorado:
desaceleração cercada por cuidados,
afagos,
paciências e
cortinas abertas.
Necessário despertar a luz que dormitava
entre ausências e
falências,
quase escuridão.
Refeito em feixes
numa explosão de sentidos,
o vivido abriu-se ao novo
ao raiar do dia,
estrela fugidia que se revelou.
Futuro presente em sementes de esperança
borrifaram perfumes e essências
no amanhecer distraído.
Acelerou!

©rosangelaSgoldoni
05 01 2019
RL T 6 789 540

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

FINAIS E FINADOS



Passei por algumas perdas doídas e doloridas por algum tempo.
Na certeza da emoção (ou missão) cumprida, ao ritual do sepultamento sobreviveu um sentimento de solidão.
A dor foi se afastando e as lembranças me envolvendo.
Percebi que aquele não era um momento final, mas transcendental e foi se acomodando no meu coração.
Por isso não vivo finados ou flores em sepulturas.
Vivo as presenças e lembranças constantes dos que me foram caros.
Visitamo-nos em sonhos e relembramos os cuidados mútuos de então.
Inevitáveis partidas, inevitáveis reencontros.
E segue a vida, mesmo em finados.

©rosangelaSgoldoni
02 11 2019
RL T 6 785 177

FERTILIDADE EM VERSOS



Busco a espontaneidade dos versos
num flertar de olhos,
no alçar voo dum passarinho
ou no bocejar inocente da criança...
Quem sabe, no arfar dum peito em exaustão de amor?
Quero, do sentimento, a cumplicidade!
Busco a serenidade das rimas
além das dissonâncias que me visitam.
Cansei da cadência marcada e vigiada pelos
incrédulos de qualquer emoção,
críticos de plantão e notoriedade.
Quero o poema transitando entre os dedos dos pés...
Terra e fertilidade!

©rosangelaSgoldoni
17 06 2018
RL T 6 784 778

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

SONHADORA CONTUMAZ



Sonhos ela sempre os teve uma vez que
a criança que nela existiu
sobrevoava cotidianamente as páginas
de um gibi, livro,
ou jornal (muitas vezes dos classificados).
Sua residência
sem azulejos ou banheiras,
tinha como brilho visível apenas
o vermelhão do chão da cozinha e
o amor familiar.
Não podiam faltar!
Nos ambientes sofisticados,
que não eram de sua intimidade,
transitava com certa prudência,
mas não fazia feio.
Com os pais aprendeu o que se chama respeito.
Alimentar-se de possibilidades era preciso,
necessário,
intuitivo.
Descobriu que,
do céu,
somente chuvas
e foi à luta!
Conquistou o mundo que lhe aprouvera
sem ganâncias ou subterfúgios.
Sonhos sempre os terá,
 afinal,
viciou-se em voar.

©rosangelaSgoldoni
22 10 2018
RL T 6 781 547