quarta-feira, 1 de outubro de 2014

DE MARRÉ MARRÉ MARRÉ ...




DO OUTRO LADO DA RUA




Varandas e sacadas invadem
minha sala.
Foi-se o tempo em que minha janela
abria-se para o mundo.
Cuidadosa,
semicerro as cortinas.
E, no entanto,
não sei viver em gaiolas:
foram-se os últimos raios de sol
e a estrela vespertina.

Senhores do outro lado da rua:
Eu, Vésper e a lua temos um encontro marcado
entre as taboas do charco,
antes que as primeiras gotas de orvalho se insinuem.

A vós, as sacadas!

©rosangelaSgoldoni
30 09 2014
RL T 4 981 915


terça-feira, 30 de setembro de 2014

UM LIVRO PARA CHAMAR DE MEU (CONVITE)

“Fiapos de Lucidez” em Porto Alegre foi uma decisão consciente.
Em terras gaúchas abriram-se as primeiras portas para que os “Rascunhos da Rogoldoni”, então hospedados no Orkut, ultrapassassem a virtualidade.
Minhas participações nos Contos e Crônicas Vol. 1 e Poesias, vol. 4, (2011) além da emoção de vê-los (os meus rascunhos) concretizados em livro, redesenharam meus caminhos pelo Brasil.
Três anos depois, 23 Antologias (RS, RJ– Búzios e Niterói; Al; MG e outras tantas em São Paulo) posso finalmente afirmar: tenho um livro para chamar de meu!
Apresentá-los (Os Fiapos) na Feira do Livro de Porto Alegre é fruto da gratidão. Aqui encontrei gente engajada em movimentos culturais, fiz amigos. Fiz-me Poemas à Flor da Pele: incentivos! Não posso deixar de citar a poeta carioca Telma Moreira que me guiou.
À Editora Somar, capitaneada por Soninha Porto, os cuidados da edição. Da capa à contracapa revelo-me sem máscaras.
Em terras gaúchas fiquei minha bandeira de letras.


É TEMPO DE ENVOLVIMENTO E INDIGNAÇÃO


Jabor escreveu “O Discreto Charme da Corrupção”.
Apesar de concordar com o texto, ouso discordar do título, apesar de sarcástico.
Corrupção não tem charme, tem toques de ratazanas, delicadezas de polvos e seus tentáculos, centopéias tóxicas, sanguessugas escorregadias e, infelizmente, nos tempos atuais, propaga-se como vírus infectando corredores ditos inexpugnáveis.
Eu, cidadã, de salário sobrevivo. Faço parte desta cadeia alimentar com os impostos acachapantes que me são subtraídos, todos muito bem fundamentados, só não sei onde são empregados. Mas imagino.
Tenho plano de saúde, sou uma vítima especial: pago imposto e não uso rede de seguridade social.
Transporte só o necessário, optei por andar a pé, enquanto puder.
A construção civil explode, gera empregos; mas a cidade encolhe. Quase certo explodirá em breve tempo, já que não se investe em esgoto, galerias pluviais ou rede elétrica. O que importa é o alvará, que o IPTU vai gerar. Conclusão: “deixa estar para ver como vai ficar”.
Carros em profusão, uma perfeita combustão. Ruas estranguladas e pedestres sem calçadas.
E o mentidos e desmentidos?
Numa sequência que me toma por idiota, cansei de lorotas.
Patrimônios irrefutáveis, assessores descartáveis e uma bela mesa de reunião.
Minha Pátria me deixa triste diante de tanta canalhice.
Pátria de recursos infindáveis (naturais e jurídicos), leis inaplicáveis (com exceção daquele, que, como eu, não tem a menor possibilidade de contratar uma banca de advogados para protelar o improtelável), padrinhos inexplicáveis.
Acorda minha Pátria, esquece o toque de silêncio: é tempo de envolvimento e indignação!


©rosangelaSgoldoni
25 05 2011
23:13h
RL T 2 993 828

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

SONHOS RECORRENTES




Eis que,
trás os montes,
o sol escorre
lentamente.
Acendem-se
os sonhos recorrentes
que a noite transporta
em sua bagagem.
Poetas desavisados
reencontram-se à procura
de versos exibidos,
expostos,
consentidos
à espera do poema.
Ciclos que não se limitam...

©rosangelaSgoldoni
28 09 2014
RL T 4 979 812


domingo, 28 de setembro de 2014

NOITE DE TEMPORAL




Quase madrugada.
O corpo entorpece,
cala-se o tempo,
trincam-se os dentes.
Dormentes
que sustentam
os trilhos da solidão
amortecem
o fardo
das lembranças.
O abraço pendente
desaba:
noite de temporal!

©rosangelaSgoldoni
16 09 2014
RLT 4 964 867

PRIMAVERA, UM PRESENTE A CELEBRAR!

  Início de tarde em melancólico nublado, vibrações de primavera a renascer em flores; redescubro meu sorriso em colorida estrada, can...