quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
NUVENS A SUSPIRAR
Alto verão sem chuvas manifestas.
Sol a deixar marcas no ressequido chão.
A cigarra,
entre cantar e festejar,
descansa à sombra da folhagem desbotada.
O anoitecer não surpreende em brisas.
A agonia do vento represado
revolve o caniçal
num balé desengonçado:
uma dança conectada à realidade estival!
Ao longe, ouve-se o suspirar duma nuvem.
Estremece em agonia de pingos,
precipita seu pranto sobre as fissuras do barro trincado.
Artérias sulcadas, cavadas em lágrimas,
um rio a fluir na imensidão da estação.
Hidratação a percorrer os mananciais de vida em exaustão.
Redimidos!
©rosangelaSgoldoni
03 02 2020
RL T 7 176 309
domingo, 24 de janeiro de 2021
COMO SE ALI ESTIVESSE
Bem me lembro como se ali estivesse.
Aos quatro anos, jardim da Igreja de Santana em Niterói.
Dias quentes, minha mãe presente a refrescarmos na praça.
Ela sentada no banco enquanto eu procurava por pauzinhos de
picolé e pirulito Kibon sob o seu olhar diligente.
Na santa inocência do cheiro da merendeira cor-de-rosa do
Jardim de Infância também residem as primeiras memórias.
Piscou o tempo num olhar de vida que se renovou nos filhos
e ampliou-se com a alegria do neto.
Hoje, o amor repousa sobre almofadas de sonhos costurados a
fios de lembranças festejadas.
©rosangelaSgoldoni
23 01 2020
RL T 7 167 917
terça-feira, 19 de janeiro de 2021
TRAMAS E TAPETES
Devolvi!
De que me serviriam enrolados sob a cama?
Apenas escondidos, acumulando a poeira do tempo.
Capricho?
Não fazia mais sentido.
Devolvi os tapetes e suas impurezas camufladas entre fibras
tecidas a mão.
Devolvi parte de uma vida tramada em nós de arrumação e
contenção de bainhas.
Desvencilhei-me das linhas desfiadas a cada lavagem na
secagem sobre o muro.
Persas não voam por mim,
avisei, Aladim!
Lâmpadas apagadas não fazem mágica
e um pássaro adormecido
despertou a renovar-se em voos
e versos colhidos entre jasmins.
Desfeitas as tramas,
recolho aromas e poemas
em cálices de açucenas
nos campos do amanhecer.
©rosangelaSgoldoni
19 01 2021
RL T 7 163 673
domingo, 17 de janeiro de 2021
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
JANELAS PARA O MUNDO
Um tímido olhar sobre a janela do mundo
revela-se por trás do biombo que o separa da pandemia.
Máscaras misturam-se ao cotidiano da maioria
das gentes sobreviventes e
conscientes de suas verdades coletivas.
A transbordar esperanças de cura,
uma pneumonia viral infla-se de esperanças
e nuanças benfazejas.
Cai o pano!
O puro da natureza refaz-se em sorrisos escancarados
no amanhecer livre de amarras.
O humano que trago comigo agradece!
©rosangelaSgoldoni
07 01 2021
RL T 7 155 091
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
DEIXANDO PARA DEPOIS
Os conscientes no momento da passagem não estranharam.
Aliás, nada prometeu ciente do que 2020 se perdera
entre desconfianças e lágrimas.
Na bagagem, os agradecimentos de vida, fé, esperança e
promessas de vacina...
Ofereceu resiliência e empatia.
Para quem aceitou, seria o suficiente, evitaria cobranças.
Alguns fogos para dizer que não festejou.
Um toque de cotovelos, um sorriso no olhar e
aquele abraço que ficou para depois.
©rosangelaSgoldoni
01 01 2021
RL T 7 149 519
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