Meio anjo,
meio gente, alegre ou descontente; à procura de respostas para perguntas complexas ou idiotas.
Sei que tenho bons olhos: amo o belo que se oferece, natural ou na arte dos Mestres.
Viver é o melhor presente da Criação Onisciente.
Mas há momentos em que o anjo perde uma asa, perturbado com algumas ciladas servidas com aborrecimento: destempero questionado com certo grau de lamento.
A mente tentou resgatá-la,
trazê-la às teclas,
mas não obedeceu.
Um verso intrometido opinou:
- Saia do recolhimento ,
venha celebrar o amor!
De nada adiantou!
A métrica, cheia de simetria,
achou que resolvia.
- Hoje estou assimétrica!
- a poesia respondeu - .
Não quero saber de bardos,
menestréis ou academias.
Recolho-me ao Parnaso,
sou musa em descompasso,
sou Pítia em oração.