segunda-feira, 8 de maio de 2017

POEMA DAS COINCIDÊNCIAS


São sete as cicatrizes,
cabalístico ... você falou!

Então descobri ao acaso:
sete letras tem seu nome,
“Sinais”, fiz sete poemas,
no dia sete brindamos,
acreditei num final feliz.

Curiosa assim fiquei
somando, sempre somando,
coisas bobas, mas sutis.

Somadas nossas idades,
incrível, se igualam a seis.
Os prenomes adicionados,
iguais a vinte e três.

Brincando, sempre brincando,
você está a fugir,
pois há tanto desencontro
estou com dó de mim.

Coincidências, só coincidências,
é melhor que seja assim!

©rosangelaSgoldoni
01 11 2004
RL T 2 582 859

BALCÃO DE TROCAS





Troco o engarrafamento da cidade,
o buzinar incessante das ruas,
o reflexo do giroflex na janela,
a corrida dos pedestr ao atravessar a rua
X
engarrafamento de pássaros à procura de amoras,
o singelo martelar da araponga,
o pisca-pisca em alerta dos vagalumes,
a suavidade do caminhar com a pele  nua de monóxido de carbono.
“Amanhã eu vou”,
bacurau gritou.
Eu,
atrás do balcão,
a trocar-me o ano inteiro.

©rosangelaSgoldoni
06 05 2017
RL T 5 992 704

quinta-feira, 4 de maio de 2017

OS OITENTA ANOS DA MINHA MÃE


Hoje seriam 87

Seria hoje,
mas não deu tempo!
Oitenta anos,
mas não completos.
Quatro de maio:
um olhar de soslaio,
e você não está:
Não vou chorar!
O coração me pede
(não posso negar)
mesmo ausente,
você é presente
vou festejar!

©rosangelaSgoldoni
04 05 2010
RL T 2 507 609

quarta-feira, 3 de maio de 2017

TRISTEZAS DE UM POVO





Há um gosto amargo,
desidratado de ilusões,
alimentado  por aves de rapina
que sobrevoam este povo sacrificado.
Abutres que farejam dinheiro
sem piedade,
insaciáveis!
Ó Deus,
Senhor de todas as vidas,
todas as terras e todos os céus,
livrai-nos desta nuvem escura e pesada
que nos embaça a visão.
Permiti-nos visualizar um gesto de compaixão
e arrependimento,
mesmo que distante da realidade:
que se nutram de verdades
confissão ou delação.
Rogamos pela paz e recursos essenciais
previstos na Constituição Brasileira.

©rosangelaSgoldoni
03 05 2017
RL T 5 988 971

segunda-feira, 1 de maio de 2017

QUANDO TODOS SE CONHECEM...







Havia confirmado sua presença no bingo beneficente promovido pela Associação de Moradores local.  Seria realizado num dos três espaços comunitários ali existentes.
Arrumou-se e saiu de casa. Entrou no primeiro, ali mesmo na sua rua.
Lotado com vizinhos reconhecidos, foi cumprimentada e a todos retribuiu.
Logo surgiu um copo de cerveja. Agradeceu.
Conversa vai, conversa vem, aceitou um cachorro quente para ser agradável e percebeu que alguma coisa que não combinava com o ambiente de um bingo.
Deparou-se com um bolo!

Procurou e não visualizou a esfera metálica de bolinhas, tabuleiros e acessórios.
Pelo jeito, vai demorar, pensou!
Aguardava por uns 40 minutos quando desistiu e resolveu voltar para casa.
Durante o pequeno trajeto ouviu uma voz amplificada por um microfone. Deu meia volta e foi em sua direção.
O bingo havia começado fazia algum tempo noutro espaço comunitário (o terceiro).

Não entendeu nada até se dar conta de que acabara de sair de uma festa de aniversário infantil para a qual não havia sido convidada.
Sorriu da sua distração.
Desculpou-se com o anfitrião.
Não se culpou. Afinal, onde todos se conhecem sobrevoa um ar de intimidade que justificaria a gafe.
Apesar de perder a primeira rodada, “bingou” uma furadeira elétrica na terceira...
  
©rosangelaSgoldoni
01 05 2017 
RL T 5 987 024
revisado em 22 04 2018 para publicação