quinta-feira, 9 de junho de 2011

SONETO DO MEU JARDIM




O outono desfaz-se em folhas,
meu jardim triste logo entendeu;
choram  as rosas, botões são bolhas
e as begônias nos dão adeus.

O inverno não deixa escolhas,

deita o frio em seu apogeu ;
eu também triste, faço-me concha,
sou como galho que desfaleceu.

Questão de tempo, não há demora,

com a primavera, renascerá
o  inverno vai logo embora

e o meu jardim, em sono breve,

da sua inércia despertará,
sob a regência da brisa leve.

©rosangelaSgoldoni
30 05 2011
RL T 3 0 25 215

quarta-feira, 8 de junho de 2011

FANTASIAS QUE NÃO VESTI




FANTASIAS QUE NÃO VESTI

Mais uma vez se apresentam:
Antonio, Pedro e João!
Num contexto festeiro,
folclore e diversão.

Fogueiras que aquecem no frio,
quadrilhas, da França um estilo.
Delícias e fartura na mesa
casamento de brincadeira.

Lembro-me da minha infância:
aipim, batata doce e melado,
danças, balões e foguetes,
noite estrelada e mastros.

Fantasias que não vesti,
caipiras de saias rodadas,
bandeirinhas coloridas
tinham um quê de encantadas.

Não há mais terrenos baldios
para acender as fogueiras,
o meu suspiro tardio
esqueceu-se das bananeira
simpatias e desafios
descansam na cabeceira.

©rosangelaSgoldoni
foto by rogold
09 06 2011
RL T 3 023 223

EU CATO O VENTO




Espanta-me
seu verso.
Desencanta-me
sua prosa.
E eu que acreditava
na sua história!
Surpreende-me
o incerto da sua rota.
Mas não perco o
discernimento.
Sou biruta:
eu cato o vento;
à minha vida,
prosseguimento!

©rosangelaSgoldoni
08 06 2011
RL T 3 022 927

DESACATO



Chuva sem razão.
O frio, desacato.
Rolo na cama.

©rosangelaSgoldoni
08 06 2011
RL T 2 022 659

terça-feira, 7 de junho de 2011

ALMA LAVADA



Areia de praia
grudada no pé;
descalça passeio,
arrebenta a maré.
Espumas de sal
que trazem energia;
Senhora dos Mares,
sou pura alegria.
Tonteia a cabeça
neste vai-e-vem;
retomo meus passos,
rejunto os cacos,
com a alma lavada
agora estou zen!

rosangelaSgoldoni
22 05 2011
RL T 3 0 20 989
Poesia publicada na Antologia Café com Versos  III 2014
Editora Delicatta SP

ATÉ QUALQUER DIA!




Seu cheiro ainda está pela casa:
Que droga, que coisa sem graça!

Deliro diante da ausência,
Do ontem ficou a essência!

Os lençóis, ainda na cama,
aguçam meu faro:
é fato!

Me viro do avesso
e esqueço.

Deixa rolar,
o tempo passar,
a vida avançar,
você se apressar,
ou não.

Até qualquer dia:
sem hora marcada,
te espero acordada!



©rosangelaSgoldoni
maio de 2010
RL T 2 434 946

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O BOMBEIRO-CIDADÃO



Diante de tantas notícias veiculadas sobre a greve do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, uma das instituições mais respeitadas pela população, relembrei meu filho menino, seu avô (meu pai)  e os passeios proporcionados ao neto no Quartel da Instituição, próximo à sua residência.
Já conhecido no quartel, quando chegava com o neto (então com 5 anos), era guiado por um soldado designado pelo Oficial de Dia e passeava por entre carros, espaços destinados ao treinamento e voltava sempre encantado com “o moço de farda que apaga o fogo”, com o carro “que leva água”, “escada mágica” que salva vidas.
- Vô, quero ser Bombeiro quando crescer!
- Meu neto, o futuro vai dizer.
O Bombeiro é um militar: muitas regras e hierarquias a respeitar.
O Civil também está sujeito a normas e hierarquias.
Sei que a diferença  é o rigor da aplicabilidade destas normas e os mandos e comandos inquestionáveis da vida militar.
Mas Bombeiro é cidadão: pai, filho, marido e irmão.
Bombeiro é herói aos olhos de uma criança ou de um adulto que entende os riscos da sua profissão.
Bombeiro paga aluguel, faz mercado, compra remédio, não tem vale transporte nem pode à familia dar suporte com um salário em torno de R$ 950,00 (novecentos e cinquenta reais).
Não aprovo baderna, quebra-quebra, destruição, seja do bem público ou privado.
Excessos não são benéficos.
O que é preciso?
Acelerar a negociação.
Senhores ”Donos da Decisão”:
-  Como um filho verá o “pai-herói” dentro de uma prisão?
Soldados Bombeiros, o meu respeito!
A vocês, que já estiveram em minha casa liberando-nos de um
vasamento de gás, a minha solidariedade!
Sem excessos,  mas com bravura.

©rosangelaSgoldoni
07 06 2011
RL T 3 019 004