Rascunho versos. Neles, sentimentos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

UMA BREVE HISTÓRIA DE VIDA





 Já usei japona...
Andei de bonde...
Fui professora...
Eu fiz tanta coisa
que das minhas memórias
faria uma história:
não sei se bonita
mas, certamente, heróica.

Já dancei por prazer
até sem o saber;
já driblei a tristeza,
agi com firmeza,
curti solidão
(às vezes é bom).

Brinquei com meus filhos
que hoje abrigo;
discuti com meu pai -
- que falta me faz!
Minha mãe noutro plano,
às vezes estranho!

De amores fugi,
mas outros curti!
Fiz-me palhaça,
fazendo pirraça
e Papai Noel -
- feliz no papel!

Já tive desgostos,
nem era agosto,
mas estou aqui,
sorrindo de mim:
mantenho a esperança,
meu lado criança
resiste feliz!

©rosangelaSgoldoni
02 11 2009
RL T 2 494 475



domingo, 27 de maio de 2012

O CÉU FECHOU-SE EM AMEÇAS





De repente, do azul fez-se o gris,
o céu fechou-se em ameaças;
riscados como num desenho a giz,
os trovões faziam arruaças.

O medo, a chuva e os clarões
dançavam festejando a lodaça;
pássaros em clima de arribação
envolviam-se perdidos na brumaça.

O sol, sem aviso, revoltou-se,
baniu toda aquela escuridão,
com vigor e atitude convidou-se,
devolvendo o azul com imensidão.


©rosangelaSgoldoni
01 02 2011
RL T 2 766 645
Poema publicado na Antologia "Um Universo Ecologicamente Poético" Ano V, vol. I, página 142, Iluminuras Gráfica e Editora - Maceió 2012

MELHORES DA POESIA BRASILEIRA CONVITE


sexta-feira, 25 de maio de 2012

NAMORADEIRA NO CARITÓ



Franjas,
tranças,
sombras:
encantos de Maceió.
Coqueiros, cajueiros,
mangabas e umbuzeiros,

Refresca-se à janela,
percebo por entre as frestas,
a namoradeira no caritó.
Mulher,
sai da janela,
há uma festa
a convidar:
bandas, coretos,
o forró vai te energizar:
Vai dançar!
Há sombras melhores
para se abrigar.


©rosangelaSgoldoni
25 05 2012
RL T 3 688 503
revisado em 04 04 2016


quinta-feira, 24 de maio de 2012

BOA VIAGEM!




Caminhos traçados com sabor de  liberdade
têm consistência e sustentabilidade.
Tome as decisões necessárias,
por mais que pareçam antipáticas.
Você tem o libre-arbítrio,
depois não culpe o destino.
Não tema o contraditório
ante convicto propósito.
Ignore ensaios de culpa,
embarque enquanto a vida pulsa.

©rosangelaSgoldoni
24 05 2012
RL T 3 684 907

terça-feira, 22 de maio de 2012

COQUEIROS DE PAJUÇARA








COQUEIROS DE PAJUÇARA

Tortos,
envergados
modelados.

Folhas ao vento
descabeladas,
dilaceradas,
salpicadas pela brisa do mar.

Ondulantes flutuações
num bailado sibilado;
eólea coreografia
que desafia
um cenário de evocações.

Coqueiros de Pajuçara,
céu azul, areia espelhada;
arrecifes, naturais cinturões.

Natureza generosa,
abusou do seu lado dengosa,
com o auxílio da Criação.

Eu, sudeste de praias famosas,
curvo-me ante as palmeiras charmosas,
nordeste revela-se nos mares sertões.

©rosangelaSgoldoni
22 05 2012
RL T 3 682 877

sexta-feira, 18 de maio de 2012

BOM DIA, VIDA!


BOM DIA, VIDA!

Tem
Majestade
Pompa
Luz própria!
Hoje
Brilha
Desavergonhadamente!
Abriu
Seu
Espaço
E
Todos
Buscam
O
Calor
Do
Seu
Abraço.

Bom dia vida!
Bom dia SOL!

©rosangelaSgoldoni
23 01 2012
RL T 3 658  277


segunda-feira, 14 de maio de 2012

DIREITO & AVESSO




Virei meu tempo do avesso
tentanto recuperar
um amor guardado no peito
do lado esquerdo a pulsar.
Mas o lado direito do tempo
discordou do meu protestar,
desvirou-se num certo momento
em que eu estava a meditar:
o tempo é um breve alimento
que o presente nos dá.
Desisti do meu intento
e a Paz retomou seu lugar.

©rosangelaSgoldoni
15 05 2012
RL T 3 668 467
Poesia publicada na Antologia Mulheres Fascinantes, Vol I, 2012, Editora Delicatta SP


CALMARIA


18 03 2007
RL T 2 426 873




domingo, 13 de maio de 2012

ZÍNGARA POR INTUIÇÃO


Arte: Svetlana Valueva


Esta minha vida cigana
tem paradeiro incerto,
não aceito censura ou barganha,
liberdade é tudo que espero

Entrego-me com graça à dança,
a saia rodada liberto.
Com a lua faço aliança:
trocamos nossos mistérios.

Zíngara por intuição,
meu limite é o Universo!


©rosangelaSgoldoni
17 03 2011
RL T 2 853 977

sexta-feira, 11 de maio de 2012

RESPIRAMOS POESIA






Poetas
são seres desatinados,
um tanto ou quanto lunáticos,
domadores da emoção:
o chicote é a palavra
que faz doer o coração.

Poetas,
criaturas indomáveis,
estetas insaciáveis
que festejam a ilusão:
o verso é sua cantata
que alegra o coração.

Poesias são mistérios,
exercitam o intelecto,
quebra-cabeças sem coesão.
Decifrá-las deixo a critério,
dos que compratilham sentimentos
a cada verso ou paixão.

Repiramos poesia,
em busca de alimento.
Sonhos que se nutrem
e sobrevivem aos tormentos.

©rosangelaSgoldoni
11 05 2012
RL T 3 662 216

TEMPO AO TEMPO É MUITO TEMPO



Algo acontece:
faltam-me
 inspiração,
o verbo fácil,
idéias (ou ideais).
Sobram-me dúvidas
sentimentais.
Tempo ao tempo
é muito tempo.
Por que temporizar?
Abrasão profunda
em cicatrizes  rotundas
levam-me a acreditar:
um coração limpo,
sem cravos ou espinhos,
há de ressuscitar.

©rosangelaSgoldoni
27 03 2012
RL T 3 660 589


quarta-feira, 9 de maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

MÃE ALÉM DO RETRATO




Virgem Maria,
Maria José,
Mãe Menininha
Canô e sua fé!


Mãe que é de Santo,
Santana mulher,
de todas as cores
de Cássia a Esther!

Mãe decidida,
missão amparar,
benditas as mães
e suas crias a ninar.

Senhora das Dores,
Senhora do Parto,
protejam as mães,
de direito ou de fato.


A MÃE sentimento,
além do retrato.

©rosangelaSgoldoni
07 05 2012
RL T 3 655 728


©rosangelaSgoldoni
03 03 2011

RL T 2 837 677
Publicado na Coletânea "A Arte de Ser Muher Poesia Feminina"
2016 Rio de Janeiro
Rede Mídia Sem Fronteira


OUVINDO FLORBELA







O silêncio absoluto da madrugada é quebrado pelo CD.
Ensaio a poesia: ela não vem.
Insisto, mas Florbela me detém.
Sua poesia musicada tem gosto de rara emoção.
Sinto-me pequena diante da
sensibilidade extrema dos seus versos.
Espanca meu coração aflito,
 indeciso, em meio a um turbilhão.
Céu nublado,
gritos sufocados,
a caneta titubeia à mão.
Desisto!
Rendo-me à sua poesia:
 musicada ou não.
Florbela,
mulher letrada,
pioneira em sua estrada,
neurose escancarada,
vai além da imaginação.
Eu,
nas suas entrelinhas, sou esperança
de rever a vida e suas tramas,
reinventar-me poeta na solidão.

rosangelaSgoldoni
13 04 2012
RL T 3 654 433


Publicado na Antologia “Poemas à Flor da Pele”, volume 5, 2012
Editora Somar Porto Alegre

sábado, 5 de maio de 2012

PLENILÚNIO





Por trás de um tapete de nuvens
agora estás a brilhar,
penilúnio oculto de maio
permita-me desvendar:
escondes também os amantes
quando deixas de iluminar
ou expostos sem consetimentos
saem à rua a comemorar?
Em busca da tua luz
proponho-me a catalisar
energias que difundam
o amor em qualquer lugar.

©rosangelaSgoldoni
06 05 2012
LUA CHEIA EM NOITE DE CÉU NUBLADO
RL T 3 652 122

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O FINAL DA ESTRADA



Não há mais curvas a espreitar.
Não há mais portões que espero ranger.
Não há mais estrelas no céu a luzir.
O final da estrada é barreira intransponível.
O que era amor,
hoje não faz mais sentido.
É definitivo!
Sem cama, sem jogo,
sem corpos tremendo,
sem lençol amassado
eu brigo com o tempo.
Só tenho o passado
como alimento.


©rosangelaSgoldoni
07 08 2007
RL T 2 745 466
Poesia publicada no E-book Nuances II
Poemas à Flor da Pele Ano 5 2011

quinta-feira, 3 de maio de 2012

QUE MISTÉRIOS ENVOLVEM A ROSA?





Que mistérios envolvem a rosa?
Não sei nem preciso saber.
Declaro-as luxuriosas:
suas pétalas emanam prazer.

Cores, sabores, aromas,
inspirações de amor ou sofrer;
delicadas cantigas de roda,
Cartola e seu poético saber.

Que mistérios envolvem a rosa?
Importante é apreciar seu poder!

©rosangelaSgoldoni
03 05 2012
RL T 3 647 973

terça-feira, 1 de maio de 2012

SE ESSA RUA FOSSE MINHA...



Minha rua mudou de endereço.
Da minha janela estendiam-se casas, cores e alguns jardins.
O nascente sol derramava seus raios dourados sobre a sala
 - corria a fechar a cortina para proteger a TV -.
À noite, a lua, sem cerimônia, invadia o quarto.
Bem-te-vis e sabiás ensaiavam no telhado do prédio ao lado.
Sem que percebesse,
as casas se transformaram em castelos de dominó:
derrubadas uma a uma, deixando rastro de pó.
 Ao pó misturaram-se pedras e cimento,
como numa coqueteleira: guindastes, escavadeiras, betoneiras.
Vergalhões desfilavam altivos e ameçadores,
desconsiderando a paisagem dos antigos moradores.
Agora vivo cercada de arranha-céus:
varandas invasivas compõem o meu painel.

Minha rua mudou de endereço...
Se essa rua fosse minha...

©rosangelaSgoldoni
02 05 2012
RL T 3 644 837

Publicado na Antologia "Mulheres Fascinantes", Editora Delicatta, 2012 SP